No dia de hoje, o Presidente da República prestou homenagem a Nelson de Matos, um dos nomes mais respeitados da edição em Portugal. Nelson de Matos faleceu aos 79 anos, deixando um legado inegável na literatura portuguesa e na indústria editorial do país.
Nascido em 1940, em Lisboa, Nelson de Matos foi um dos responsáveis pela publicação de autores do chamado “boom” do romance português, após a Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974. Ao longo de sua carreira, ele trabalhou com alguns dos maiores nomes da literatura portuguesa, como José Saramago, António Lobo Antunes e Vergílio Ferreira.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou Nelson de Matos como um “mestre da edição”, que ajudou a moldar o panorama literário português e a promover a língua e a cultura do país. Em suas palavras, “Nelson de Matos foi um grande impulsionador da literatura portuguesa, especialmente após a Revolução dos Cravos. Ele foi um verdadeiro visionário, que apostou em novos autores e os ajudou a ganhar reconhecimento nacional e internacional”.
Após a Revolução dos Cravos, Portugal viveu um período de grande efervescência cultural e de liberdade de expressão. Foi nesse contexto que surgiram novos autores e obras literárias que marcaram a literatura portuguesa contemporânea. Nelson de Matos foi um dos principais atores desse cenário, ao fundar a editora Caminho em 1979. A editora lançou obras de autores como José Saramago, António Lobo Antunes, Miguel Torga e Agustina Bessa-Luís, entre outros. Com sua visão e dedicação, Nelson de Matos ajudou a consolidar a Caminho como uma das mais importantes editoras portuguesas.
Além de seu papel como editor, Nelson de Matos também foi um escritor prolífico. Ele publicou vários livros, incluindo “O Homem Que Nunca Existiu” e “A Idade do Fogo”. Seus romances são marcados por uma escrita envolvente e uma profunda reflexão sobre a condição humana.
A morte de Nelson de Matos foi lamentada por toda a comunidade literária portuguesa. Vários escritores e personalidades do mundo cultural prestaram homenagem ao editor, lembrando sua dedicação à literatura e sua generosidade em apoiar novos talentos. O escritor José Luís Peixoto disse que Nelson de Matos “foi um grande amigo e mentor”, enquanto o poeta Manuel Alegre o descreveu como “um dos grandes nomes da literatura portuguesa, que deixará saudades”.
A contribuição de Nelson de Matos para a literatura portuguesa foi reconhecida não apenas em Portugal, mas também no exterior. Ele recebeu vários prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores em 2006.
A partida de Nelson de Matos deixa uma grande lacuna na literatura portuguesa, mas seu legado continuará vivo através de suas obras e do impacto que ele teve no mundo editorial. Seu compromisso com a promoção da literatura portuguesa e com o apoio aos novos talentos é um exemplo a ser seguido por todos aqueles que amam e valorizam a cultura do nosso país.
Em tempos difíceis, como os que estamos vivendo atualmente, é importante lembrar do exemplo de pessoas como Nelson de Matos, que dedicaram suas vidas à arte e à cultura. Sua paixão pela literatura e seu trabalho incansável para promover a escrita portuguesa








