O Banco Espírito Santo (BES), um dos maiores bancos portugueses, foi protagonista de um dos maiores escândalos financeiros da história do país. Entre o final de 2007 e o verão de 2014, o BES financiou o Banco Espírito Santo Angola (BESA) com milhares de milhões de euros provenientes do Mercado Monetário Internacional (MMI). O resultado? Uma crise financeira sem precedentes, que afetou não apenas os clientes e acionistas do BES, mas também toda a economia portuguesa.
Mas como tudo isso aconteceu? Quais foram as consequências para o BES e para Portugal? E o que está sendo feito para reparar os danos causados por essa situação? Neste artigo, vamos explorar mais a fundo esse escândalo financeiro e suas implicações.
Tudo começou em 2007, quando o BES decidiu expandir seus negócios para Angola, um dos países mais promissores da África. Em parceria com a família do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, o BES criou o BESA, um banco que tinha como objetivo atender às necessidades do mercado angolano. Para isso, o BES forneceu linhas de crédito do MMI, um fundo que reúne recursos de instituições financeiras internacionais, para o BESA.
Em um primeiro momento, essa estratégia parecia ser um sucesso. O BESA cresceu rapidamente e se tornou um dos maiores bancos de Angola. Além disso, o BES também se beneficiou com as altas taxas de juros cobradas pelo BESA nos empréstimos concedidos. No entanto, o que parecia ser um negócio promissor, acabou se transformando em um pesadelo.
Com o passar do tempo, começaram a surgir rumores sobre a situação financeira do BESA. Havia indícios de que o banco estaria em situação de insolvência e que o BES estava escondendo essas informações. Em 2014, o Banco Nacional de Angola (BNA) tomou o controle do BESA e descobriu que o banco possuía um buraco financeiro de mais de 5 bilhões de euros.
Esse buraco foi causado, em grande parte, pelos empréstimos concedidos pelo BESA a empresas ligadas à família do ex-presidente angolano, que acabaram não sendo pagos. Além disso, também foram constatadas irregularidades nas operações de crédito, com uso de documentos falsos e desvio de recursos. Tudo isso levou à falência do BESA e à descoberta de que o BES havia fornecido linhas de crédito do MMI para financiar as operações do banco angolano.
As consequências para o BES foram imediatas. O banco perdeu a confiança dos investidores e seus ativos foram desvalorizados. Em agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou a decisão de dividir o BES em dois: o Novo Banco, que ficou com os ativos bons, e o BES “mau”, que ficou com todos os ativos tóxicos, incluindo a dívida do BESA. Como resultado, milhares de clientes e acionistas do BES perderam grande parte de seus investimentos.
Além disso, a crise do BES também teve um impacto significativo na economia portuguesa. O Novo Banco foi nacionalizado e o Estado português teve que injetar 4,4 bilhões de euros para garantir sua estabilidade financeira. Isso afetou diretamente o orçamento público, que precisou cortar gastos em outras áreas para cobrir essa despesa. Além disso, a confiança dos investidores estrangeiros no sistema bancário português foi abalada, o que dificultou a









