Enquanto políticas públicas tentam reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, uma realidade preocupante vem sendo observada nas cantinas de colégios particulares: a venda desses alimentos é, em média, 50% superior ao de alimentos in natura. Essa informação, divulgada recentemente por um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), traz à tona uma discussão importante sobre a alimentação nas escolas e o papel das políticas públicas nesse contexto.
Os alimentos ultraprocessados, também conhecidos como junk food, são aqueles que passam por diversos processos industriais e possuem altos teores de açúcar, gorduras e sódio. Eles são encontrados em grande quantidade nas cantinas escolares, sendo oferecidos como opção de lanche para os alunos. No entanto, esses alimentos são considerados prejudiciais à saúde, podendo causar obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde tem adotado medidas para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, como a criação do Guia Alimentar para a População Brasileira, que recomenda o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. Além disso, em 2019, foi aprovada a Política Nacional de Alimentação Escolar, que estabelece diretrizes para a oferta de uma alimentação saudável nas escolas.
No entanto, apesar dessas iniciativas, o estudo do IDEC revelou que a venda de alimentos ultraprocessados nas cantinas de colégios particulares é, em média, 50% superior ao de alimentos in natura. Isso significa que, mesmo com as políticas públicas em vigor, ainda há um grande desafio a ser enfrentado no que diz respeito à alimentação nas escolas.
Uma das possíveis explicações para esse cenário é a falta de fiscalização e controle por parte das escolas. Muitas vezes, as cantinas são terceirizadas e os gestores não se preocupam em verificar a qualidade dos alimentos oferecidos aos alunos. Além disso, a pressão dos estudantes e a falta de conscientização sobre os malefícios dos alimentos ultraprocessados também contribuem para a manutenção desse padrão alimentar.
É importante ressaltar que a alimentação saudável é um direito de todos e deve ser garantida também nas escolas. Além de contribuir para a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância, uma alimentação adequada pode melhorar o desempenho escolar e prevenir doenças. Por isso, é fundamental que as políticas públicas sejam efetivamente implementadas e que as escolas assumam a responsabilidade de oferecer uma alimentação de qualidade aos seus alunos.
Uma alternativa para reduzir a venda de alimentos ultraprocessados nas cantinas escolares é a promoção de ações educativas e a conscientização dos alunos sobre a importância de uma alimentação saudável. Além disso, é preciso incentivar a oferta de alimentos in natura e minimamente processados nas cantinas, por meio de parcerias com produtores locais e a inclusão de alimentos saudáveis no cardápio.
Outra medida importante é a criação de espaços de convivência e lazer nas escolas, que possam ser utilizados pelos alunos durante os intervalos. Dessa forma, eles terão opções de atividades que não envolvam o consumo de alimentos, como jogos, brincadeiras e práticas esportivas.
É necessário também que os pais e responsáveis se envolvam nessa questão, incentivando seus filhos a fazerem escolhas mais saudáveis e acompanhando de perto o que é oferecido nas cantinas escolares. Afinal, a educação alimentar começa em casa e é fundamental para a formação de hábitos saud








