Num mundo cada vez mais globalizado, a cooperação internacional se torna cada vez mais importante para enfrentar os desafios que afetam a humanidade como um todo. Sejam eles sociais, políticos ou, especialmente, as crises climáticas que ameaçam o futuro do nosso planeta. Mas, em meio a tantas dificuldades, é importante destacar projetos que mostram como a ciência pode ser feita com as pessoas, e não apenas sobre elas. Um desses exemplos é o MozambES, um projeto que tem como objetivo unir conhecimento e ação local, com impacto real.
O MozambES é uma iniciativa que nasceu em Moçambique, um país localizado no sudeste da África, que enfrenta diversos desafios sociais e ambientais. Com uma população de mais de 30 milhões de habitantes, Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, com um índice de desenvolvimento humano baixo e uma economia baseada principalmente na agricultura de subsistência. Além disso, o país também é vulnerável a desastres naturais, como ciclones e inundações, que têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas.
Foi nesse contexto que surgiu o MozambES, uma parceria entre a Universidade Eduardo Mondlane, a Universidade de Aveiro e a Universidade de Coimbra, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável em Moçambique através da ciência e da tecnologia. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal e conta com a participação de pesquisadores e estudantes de diversas áreas do conhecimento, como biologia, engenharia, geografia e sociologia.
Uma das principais características do MozambES é a sua abordagem participativa, que envolve a comunidade local em todas as etapas do processo de pesquisa e tomada de decisão. Isso significa que as pessoas que vivem nas regiões onde o projeto atua são consideradas parceiras e protagonistas, e não apenas objetos de estudo. Essa abordagem é fundamental para garantir que as soluções propostas sejam realmente eficazes e adequadas à realidade local.
Um dos projetos desenvolvidos pelo MozambES é o “Eco-Escolas”, que tem como objetivo promover a educação ambiental nas escolas do país. Através de atividades práticas e lúdicas, os estudantes aprendem sobre questões como o uso racional da água, a importância da reciclagem e a preservação da biodiversidade. Além disso, o projeto também incentiva a participação da comunidade, através de ações como mutirões de limpeza e plantio de árvores.
Outra iniciativa importante é o “Mapeamento Participativo”, que tem como objetivo mapear as áreas de risco e vulnerabilidade a desastres naturais, como enchentes e deslizamentos de terra. Para isso, os pesquisadores do MozambES trabalham em conjunto com as comunidades locais, que conhecem bem o território e podem contribuir com informações valiosas. Com esses dados em mãos, é possível desenvolver estratégias de prevenção e mitigação de desastres, que podem salvar vidas e reduzir os impactos negativos na população.
Além desses projetos, o MozambES também atua em outras áreas, como a gestão de recursos hídricos, a agricultura sustentável e a promoção da igualdade de gênero. Todos esses esforços têm um objetivo comum: promover o desenvolvimento sustentável em Moçambique, de forma participativa e inclusiva.
Os resultados do MozambES já começam a ser percebidos. Um exemplo é a redução da vulnerabilidade das comunidades às mudanças climáticas, através da adoção de práticas sustentáveis e da implementação de medidas de adaptação.









