Entidades da área da saúde têm expressado preocupação com a decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) de não incorporar alguns medicamentos e tratamentos no SUS. Eles argumentam que essa decisão reforça as desigualdades no acesso ao tratamento, enquanto a Conitec alega inviabilidade orçamentária.
A Conitec é responsável por avaliar a eficácia, segurança e custo-efetividade de novas tecnologias em saúde e recomendar sua incorporação ou não no SUS. Recentemente, a comissão decidiu não incorporar alguns medicamentos de alto custo para tratamento de doenças como câncer, doenças raras e esclerose múltipla.
Essa decisão tem sido contestada por entidades como a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) e a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM). Para elas, a não incorporação desses tratamentos no SUS perpetua as desigualdades no acesso à saúde, já que nem todos os pacientes têm condições financeiras de arcar com os altos custos desses medicamentos.
Além disso, as entidades argumentam que a Conitec não levou em consideração as evidências científicas sobre a eficácia desses tratamentos e que a decisão foi baseada apenas na questão orçamentária. Segundo elas, é necessário um olhar mais amplo e humanizado sobre a saúde da população, levando em conta não apenas os custos, mas também a qualidade de vida dos pacientes.
Por outro lado, a Conitec afirma que a decisão foi tomada após uma análise criteriosa e que o orçamento limitado do SUS não permite a incorporação de todos os medicamentos e tratamentos disponíveis no mercado. A comissão ressalta que sempre busca priorizar as tecnologias que trazem maior benefício para a saúde da população e que estão dentro da capacidade financeira do sistema.
É importante lembrar que o SUS é um sistema universal e gratuito de saúde, que atende a uma população de mais de 200 milhões de pessoas. É natural que haja limitações orçamentárias, mas é preciso buscar alternativas para garantir o acesso de todos os cidadãos aos tratamentos mais adequados.
Uma possível solução seria a criação de parcerias entre o governo e a indústria farmacêutica, que poderiam oferecer descontos nos medicamentos de alto custo. Além disso, é fundamental investir em políticas de prevenção e promoção da saúde, para reduzir a incidência de doenças e, consequentemente, a necessidade de tratamentos caros.
É importante destacar também que a decisão da Conitec não é definitiva e pode ser revista a qualquer momento, caso haja novas evidências ou recursos disponíveis. Por isso, é fundamental que as entidades e a sociedade civil continuem acompanhando e participando do processo de avaliação de tecnologias em saúde.
Em resumo, a decisão da Conitec de não incorporar alguns tratamentos no SUS é um reflexo das dificuldades orçamentárias enfrentadas pelo sistema de saúde público no país. Porém, é preciso buscar alternativas para garantir o acesso aos tratamentos mais adequados e equilibrar os cuidados com a saúde e os recursos disponíveis. A saúde deve ser um direito de todos, independentemente de sua condição financeira, e cabe a todos nós lutar por um sistema de saúde mais justo e eficiente.









