A dívida global está a aumentar a um ritmo sem precedentes na história moderna. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta global atingiu a marca de 225% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2019. Esta é uma tendência preocupante que vem sendo observada há alguns anos e mostra sinais de que pode se agravar ainda mais com os impactos da pandemia da COVID-19.
O que é mais alarmante desta vez é que não são apenas os países tradicionalmente mais gastadores que estão a impulsionar esse aumento da dívida global. As finanças públicas das grandes potências também se mostraram altamente vulneráveis, o que representa um risco sistémico para a economia global.
Nos últimos anos, tem sido comum ver governos se endividando cada vez mais para financiar suas políticas e projetos. Porém, com a pandemia, essa tendência se acelerou drasticamente. Os governos tiveram que aumentar consideravelmente seus gastos para dar suporte à população e à economia durante os períodos de confinamento e restrições de atividades. Além disso, as receitas governamentais foram impactadas pela queda na arrecadação de impostos e pela redução da atividade econômica. Isso fez com que o déficit fiscal se expandisse em níveis preocupantes.
Para se ter uma ideia, segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), o déficit fiscal das economias desenvolvidas aumentou de cerca de 6% do PIB em 2019 para quase 17% em 2020. Em contrapartida, a dívida pública desses países subiu de 105% para 122% do PIB no mesmo período. Isso significa que, em média, a dívida pública dessas economias é maior do que a riqueza que elas produzem em um ano, o que é um sinal alarmante.
Além dos países desenvolvidos, em países emergentes e em desenvolvimento também foi observado um aumento significativo na dívida pública. Segundo o FMI, a média da dívida pública desses países subiu de 50% para 61% do PIB entre 2019 e 2020. A América Latina foi uma das regiões mais afetadas, com a dívida pública média subindo de 59% para 74% do PIB no mesmo período.
É importante destacar que o endividamento excessivo dos governos pode ter consequências graves para a economia de um país. O primeiro impacto é o aumento do risco de inadimplência, o que pode levar a um aumento nos juros pagos pelo governo para financiar a sua dívida. Isso, por sua vez, reduz o dinheiro disponível para outros gastos públicos, como investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
Outro risco é que o aumento da dívida pública pode comprometer a confiança dos investidores e do mercado, o que pode afetar negativamente o crescimento econômico e gerar turbulências financeiras. Além disso, em casos extremos, pode levar a uma crise econômica e a um aumento do desemprego.
Para evitar esses impactos negativos, é fundamental que os governos controlem seus gastos e trabalhem na redução da dívida pública. No entanto, essa não é uma tarefa fácil, principalmente diante de uma pandemia global que exige ações rápidas e significativas dos governos para mitigar seus efeitos.
Uma opção que os governos têm para reduzir a dívida é por meio de um aumento na arrecadação de impostos. Porém, isso pode ser impopular e pode ter impactos negativos na atividade econômica. Outra alternativa é a austeridade fiscal, que consiste em









