O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, recebeu esta semana o documento final do grupo de trabalho responsável pela revisão das leis eleitorais. O relatório foi entregue pelo presidente do grupo e vice-presidente do Parlamento, José Manuel Pureza, e pelo deputado social-democrata José Matos Correia.
Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro António Costa afirmou que “o relatório é um documento muito importante e que não sai desvirtuado por alterações da oposição”. O líder do governo destacou ainda a importância da revisão das leis eleitorais para a democracia portuguesa e agradeceu o trabalho do grupo de trabalho, que contou com a participação de todos os partidos representados no Parlamento.
No entanto, o primeiro-ministro não deixou de fazer críticas às coligações negativas entre o Partido Socialista (PS) e o Chega, liderado por André Ventura. Costa afirmou que “as coligações entre o PS e o Chega são negativas para a democracia e para o país”. O líder socialista reforçou ainda que o seu partido irá cumprir a abstenção “exigente” no Parlamento, ou seja, irão abster-se em algumas votações, mas com uma posição crítica em relação ao Chega.
O documento final do grupo de trabalho responsável pela revisão das leis eleitorais é o resultado de mais de um ano de trabalho e dezenas de audições a especialistas e representantes de diferentes partidos políticos. O objetivo principal é modernizar e tornar mais justa a legislação eleitoral em Portugal.
Entre as principais alterações propostas, destacam-se a redução do número de deputados na Assembleia da República, a introdução do voto preferencial, a criação de círculos eleitorais uninominais e a implementação do voto eletrónico. Estas alterações visam aproximar os eleitores dos seus representantes e aumentar a transparência e a eficiência do processo eleitoral.
Contudo, algumas das propostas do grupo de trabalho têm gerado polêmica e divisões entre os partidos políticos. A redução do número de deputados, por exemplo, tem sido alvo de críticas por parte de alguns partidos, que alegam que isso irá prejudicar a representatividade de regiões menos populosas.
Apesar das divergências, o presidente do grupo de trabalho, José Manuel Pureza, garante que “o documento final é fruto de um consenso alargado entre todos os partidos e respeita as diferentes posições”. Pureza reforça ainda que o objetivo é “fortalecer a democracia e não favorecer nenhum partido em particular”.
Agora, cabe ao Parlamento discutir e votar as propostas de alteração das leis eleitorais. A expectativa é que o processo seja concluído a tempo das próximas eleições legislativas, previstas para 2023.
A revisão das leis eleitorais é um passo importante para a consolidação da democracia em Portugal. Com as alterações propostas, espera-se que o processo eleitoral seja mais justo, transparente e representativo. Além disso, a introdução do voto eletrónico pode trazer mais agilidade e segurança ao processo de votação.
É importante que todos os partidos políticos estejam abertos ao diálogo e à construção de consensos em prol do interesse coletivo. O documento entregue esta semana é um exemplo de que é possível alcançar acordos mesmo em um ambiente político polarizado. É preciso lembrar que a democracia é construída com diálogo e respeito às diferenças.
Esperamos que o Parlamento aprove as alterações propostas e que a revisão das leis eleitorais seja um sucesso. Assim, poderemos fortalecer ainda









