Os fundos não repatriados pelas companhias aéreas têm sido um assunto de grande preocupação para a indústria da aviação nos últimos anos. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), esses fundos são receitas geradas pela venda de viagens, serviços de transporte e outras atividades em países que, posteriormente, não são devolvidos às companhias aéreas em dólares, como previsto em acordos e tratados do setor. Essa prática tem impactado negativamente as operações das companhias aéreas e, consequentemente, os serviços oferecidos aos passageiros.
A IATA, que representa cerca de 290 companhias aéreas em todo o mundo, estima que os fundos não repatriados somaram US$ 5,6 bilhões em 2018. Esse valor representa um aumento significativo em relação aos US$ 4,9 bilhões registrados em 2017. Esses números são alarmantes e mostram a gravidade da situação, que afeta não apenas as companhias aéreas, mas também os passageiros e a economia global.
Mas por que esses fundos não estão sendo repatriados? A resposta é complexa e envolve vários fatores. Um dos principais motivos é a falta de acesso aos mercados de câmbio estrangeiros em alguns países. Isso significa que as companhias aéreas não conseguem converter a moeda local em dólares para enviar aos seus países de origem. Além disso, em alguns casos, os governos impõem restrições à repatriação de fundos para controlar a saída de moeda estrangeira do país.
Essa situação tem impacto direto nas operações das companhias aéreas, que enfrentam dificuldades para pagar fornecedores internacionais e manter suas aeronaves em operação. Como resultado, muitas companhias aéreas têm reduzido suas rotas e até mesmo cancelado voos, afetando a conectividade entre países e o turismo.
Além disso, a falta de repatriação de fundos também tem impacto nos passageiros. Com menos rotas e voos disponíveis, os preços das passagens tendem a aumentar, tornando as viagens aéreas mais caras. Além disso, a qualidade dos serviços pode ser afetada, já que as companhias aéreas enfrentam dificuldades para investir em melhorias e atualizações.
Diante desse cenário, a IATA tem atuado em conjunto com governos e autoridades para encontrar soluções para o problema dos fundos não repatriados. Uma das medidas adotadas pela associação é a criação de um grupo de trabalho para identificar os países com maior impacto e buscar uma abordagem conjunta para resolver a questão.
Além disso, a IATA tem defendido a importância de uma maior liberalização do mercado de câmbio em países onde as restrições são mais severas. Isso permitiria que as companhias aéreas tivessem acesso mais fácil aos fundos e, consequentemente, pudessem repatriá-los de acordo com os acordos e tratados internacionais.
Outra iniciativa importante da IATA é a realização de workshops e treinamentos para governos e autoridades de aviação civil, com o objetivo de conscientizá-los sobre a importância da repatriação de fundos para a sustentabilidade da indústria da aviação e da economia global como um todo.
Felizmente, algumas medidas já estão sendo implementadas em alguns países. Por exemplo, em 2018, a Nigéria concordou em liberar US$ 600 milhões em fundos não repatriados para as companhias aéreas. Essa é uma ação positiva e que pode servir de exemplo para outros países.
Em resumo, os fundos não repatriados pelas companhias aéreas









