Um novo estudo científico publicado recentemente na revista “Nature” revelou informações fascinantes sobre a vida dos mosassauros, um grupo extinto de répteis aquáticos que habitaram os oceanos há cerca de 66 milhões de anos. Através da análise química de um fóssil de mosassauro, os pesquisadores descobriram que esses animais também eram capazes de caçar em rios, o que até então era considerado improvável.
Os mosassauros eram répteis marinhos que pertenciam à ordem dos escamados, assim como as cobras e os lagartos. Eles viveram durante o período Cretáceo, que durou de 145 a 66 milhões de anos atrás, e foram uma das principais espécies predadoras dos oceanos na época. Seu tamanho variava de acordo com a espécie, mas alguns chegavam a medir até 17 metros de comprimento.
Até o momento, os cientistas acreditavam que os mosassauros eram animais exclusivamente marinhos, que se alimentavam principalmente de peixes e outros animais marinhos. No entanto, a descoberta de um fóssil de mosassauro em uma região de rio na Jordânia, em 2008, levantou novas questões sobre o comportamento desses répteis. O fóssil foi apelidado de “Mosassauro do Rio” e desde então tem sido objeto de estudo por diversos pesquisadores.
O novo estudo, liderado pela paleontóloga Valentin Fischer, da Universidade de Liege, na Bélgica, analisou os isótopos de oxigênio encontrados no esmalte dos dentes do fóssil do “Mosassauro do Rio”. Os isótopos são variações de um mesmo elemento químico, que possuem o mesmo número de prótons, mas diferem no número de nêutrons. Através da análise desses isótopos, os pesquisadores conseguiram determinar a origem da água que o mosassauro consumia.
Os resultados foram surpreendentes. Os isótopos de oxigênio encontrados no esmalte dos dentes do mosassauro indicam que ele viveu em águas com baixa salinidade, característica típica de rios e estuários. Isso sugere que esse animal era capaz de se adaptar a diferentes ambientes e não era restrito apenas aos oceanos.
Além disso, os pesquisadores também encontraram isótopos de estrôncio no esmalte dos dentes do mosassauro. Esses isótopos são encontrados em rochas e solos e, através da sua análise, é possível determinar a localidade onde o animal viveu. Os resultados indicam que o “Mosassauro do Rio” provavelmente habitava um sistema fluvial próximo ao mar, o que reforça a teoria de que ele era capaz de se adaptar a diferentes ambientes.
Com base nesses dados, os cientistas concluíram que os mosassauros eram animais versáteis e não estavam restritos apenas aos oceanos. Eles provavelmente caçavam em rios e estuários, se alimentando de peixes e outros animais que viviam nesses ambientes. Essa descoberta é importante porque amplia o conhecimento sobre a ecologia desses répteis aquáticos e mostra que eles eram muito mais complexos do que se imaginava.
Além disso, a descoberta também traz implicações para a teoria da evolução dos mosassauros. Anteriormente, acredita-se que esses animais se adaptaram ao ambiente marinho para se tornarem melhores predadores. No entanto, agora sabemos que eles já possuíam uma ampla gama de habilidades e se adaptavam









