Nos últimos anos, temos observado um aumento preocupante no número de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre pessoas com mais de 60 anos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 2009 e 2019, houve um aumento de 57% nos diagnósticos de DSTs nessa faixa etária.
Esse cenário expõe um silêncio que ainda persiste em relação à sexualidade, prevenção e diagnóstico precoce entre pessoas mais velhas. Muitos acreditam que, com o avanço da idade, a vida sexual se torna menos relevante, o que acaba levando ao descuido e à falta de informação sobre os riscos e formas de prevenção.
No entanto, é importante lembrar que a sexualidade é uma parte natural e saudável da vida humana, e deve ser vivenciada em todas as idades, respeitando os limites e desejos de cada um. Além disso, a falta de informação pode levar a um aumento do número de casos de DSTs e também a outros problemas de saúde, como a disfunção erétil e a menopausa precoce.
Uma das principais causas desse crescimento é o aumento da longevidade da população, que acarreta em uma vida sexual ativa por um período maior. Além disso, a tendência de relacionamentos mais livres e abertos também pode contribuir para a disseminação das DSTs. Muitas pessoas nessa faixa etária acabam se envolvendo em relações sem pensar na importância da prevenção e do uso de preservativos.
Outro fator que contribui para o aumento desses casos é o silêncio que ainda existe em torno da sexualidade na terceira idade. Muitas vezes, os idosos não se sentem à vontade para falar sobre suas relações sexuais com seus médicos, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
É fundamental que o diálogo sobre a sexualidade na terceira idade seja aberto e acolhedor, tanto na sociedade quanto na área da saúde. É papel dos profissionais de saúde promover a conscientização e fornecer informações corretas e atualizadas sobre a prevenção das DSTs e os cuidados com a saúde sexual.
Além disso, é importante que os idosos se informem e estejam atentos aos sintomas das DSTs, buscando ajuda médica sempre que necessário. A falta de tratamento pode levar a complicações mais graves, que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida dos idosos.
Outro ponto importante é que os idosos precisam desmistificar a ideia de que apenas jovens são sexualmente ativos e, portanto, mais suscetíveis a contrair DSTs. Qualquer pessoa, independentemente da idade, que tenha relações sexuais sem prevenção está em risco.
Além das medidas de prevenção, é fundamental que a população mais velha tenha acesso aos exames de rotina para detectar as DSTs, como o teste de HIV, sífilis, hepatites B e C, entre outros. O diagnóstico precoce pode evitar complicações e garantir um tratamento eficaz.
Por fim, é preciso quebrar o tabu que ainda existe em torno da sexualidade na terceira idade. É natural e saudável que os idosos sejam sexualmente ativos, desde que estejam conscientes dos riscos e tomem medidas de prevenção. É preciso que a sociedade como um todo acolha e respeite todas as formas de amor e expressões da sexualidade em qualquer idade.
Em resumo, a sexualidade não tem idade e é importante que os idosos sejam orientados, informados e tenham acesso a serviços de saúde de qualidade para preservar sua saúde sexual e emocional. Devemos lutar contra o estigma e o preconceito e promover um









