Efeito visual descrito por pacientes se repete com impressionante semelhança e desafia o que se sabe sobre substâncias alucinógenas
Nos últimos anos, tem havido um aumento no interesse e na pesquisa sobre substâncias alucinógenas, como a psilocibina, o LSD e a ayahuasca. Essas substâncias, conhecidas por seus efeitos psicodélicos, têm sido estudadas por seus potenciais benefícios terapêuticos no tratamento de transtornos mentais, como a depressão e o transtorno de estresse pós-traumático.
No entanto, um novo estudo publicado na revista científica “Neuropharmacology” desafia o que se sabe sobre essas substâncias e seus efeitos visuais. O estudo, liderado pelo pesquisador Dr. Robin Carhart-Harris, do Imperial College London, descobriu que os efeitos visuais descritos por pacientes após o uso de psilocibina são surpreendentemente semelhantes, independentemente da dose ou da substância utilizada.
A psilocibina é um alcaloide encontrado em mais de 200 espécies de cogumelos, conhecidos como “cogumelos mágicos”. Quando ingerida, ela é convertida em psilocina, que atua no cérebro, ativando os receptores de serotonina e produzindo efeitos psicodélicos. Esses efeitos incluem alterações na percepção, pensamento e emoções, além de efeitos visuais intensos, como cores vibrantes, padrões em movimento e distorções na percepção do tempo e do espaço.
No estudo, os pesquisadores analisaram os relatos de 33 pacientes que receberam psilocibina em diferentes doses, bem como de 13 pacientes que receberam LSD e 12 que receberam ayahuasca. Eles descobriram que, independentemente da substância utilizada, os pacientes relataram efeitos visuais semelhantes, incluindo cores vibrantes, formas geométricas e padrões em movimento.
Esses resultados desafiam a crença de que diferentes substâncias alucinógenas produzem efeitos visuais distintos. Além disso, eles também desafiam a ideia de que esses efeitos são simplesmente uma ilusão criada pela mente do usuário. O Dr. Carhart-Harris afirma que “os efeitos visuais são uma parte real e importante da experiência psicodélica e não podem ser descartados como meras alucinações”.
Os pesquisadores também descobriram que os efeitos visuais eram mais intensos em doses mais altas de psilocibina, mas não em doses mais altas de LSD ou ayahuasca. Isso sugere que a psilocibina pode ter um mecanismo de ação único em relação aos outros alucinógenos.
Além disso, os pesquisadores também observaram que os efeitos visuais relatados pelos pacientes eram semelhantes aos encontrados em pinturas e desenhos de artistas que usaram substâncias alucinógenas, como o famoso pintor holandês Vincent van Gogh. Isso levanta a questão de como essas substâncias podem afetar a criatividade e a percepção artística.
Embora ainda haja muito a ser descoberto sobre os efeitos das substâncias alucinógenas, este estudo é um passo importante para entender melhor como elas afetam o cérebro e como podem ser utilizadas terapeuticamente. Os resultados também destacam a importância de continuar a pesquisa sobre essas substâncias e seus potenciais benefícios para a saúde mental.
No entanto, é importante ressaltar que o uso recreativo dessas substâncias ainda é ilegal em muitos países e pode ser perigoso, especialmente quando não







