A globalização trouxe consigo uma nova ordem mundial, onde as relações entre países se tornaram cada vez mais complexas e interdependentes. O surgimento de blocos econômicos, como o G7 e o G20, trouxe a ideia de uma governança global compartilhada, onde as grandes potências buscavam trabalhar juntas para resolver questões globais. No entanto, nos últimos anos, temos visto uma mudança nessa dinâmica, com o surgimento de um novo termo: o “G0”, que representa a ausência de liderança global e a crescente busca por interesses nacionais.
Em uma entrevista recente à InfoMoney, Christopher Garman, diretor para as Américas da Eurasia Group, uma das principais empresas de consultoria política do mundo, alertou para essa nova realidade. Segundo ele, não estamos mais na era do G2, onde Estados Unidos e China dominavam as relações internacionais, nem no G7, onde as sete maiores economias do mundo se reuniam para discutir questões globais. Agora, estamos em uma era onde cada país olha mais para o seu próprio umbigo, buscando proteger seus interesses e se tornando menos propenso a cooperar com outras nações.
Essa mudança de dinâmica tem impactos significativos na economia global e nos investimentos. Com a ausência de liderança global, os investidores enfrentam um cenário de maior incerteza e volatilidade. Além disso, a crescente busca por interesses nacionais pode levar a conflitos comerciais e políticos entre países, afetando diretamente a economia mundial.
A Eurasia Group, em seu relatório anual “Top Risks 2021”, alerta para essa nova realidade e destaca a importância de os investidores estarem atentos às mudanças na ordem global. Segundo o relatório, “a era do G0 está aqui, e isso significa que os investidores precisam estar preparados para um mundo onde a liderança global é mais fraca e a incerteza é maior”.
Um dos principais fatores que contribuem para essa nova ordem global é a ascensão da China como potência econômica e política. Nos últimos anos, o país tem buscado expandir sua influência global, principalmente por meio de sua iniciativa “Belt and Road”, que visa conectar a China a outras regiões do mundo por meio de investimentos em infraestrutura. Isso tem gerado preocupações em outros países, especialmente nos Estados Unidos, que temem perder sua posição de liderança global.
Além disso, a pandemia de Covid-19 também teve um papel importante na mudança da ordem global. Com a crise sanitária e econômica, muitos países se voltaram para dentro e buscaram proteger suas economias e populações. Isso levou a uma maior fragmentação e competição entre nações, ao invés de cooperação.
No entanto, Garman ressalta que essa nova realidade também traz oportunidades para os investidores. Com a ausência de liderança global, os países emergentes podem se tornar mais atraentes para investimentos, já que muitos deles estão em um processo de crescimento econômico e podem oferecer boas oportunidades de retorno.
Além disso, a Eurasia Group destaca que, apesar da ausência de liderança global, ainda existem áreas de cooperação entre países, como na luta contra as mudanças climáticas e no combate à pandemia. Essas áreas podem ser exploradas pelos investidores, que podem encontrar oportunidades de investimento em setores relacionados.
Em resumo, a era do G0 traz desafios e oportunidades para os investidores. A ausência de liderança global e a crescente busca por interesses nacionais podem gerar incertezas e volatilidade nos mercados. No entanto, essa nova realidade também pode trazer oportunidades em países emergentes e em áreas de cooperação entre nações.







