Substância chega a 28 pacientes através de decisões judiciais, apesar da falta de dados robustos
Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais comum a utilização de substâncias que ainda não possuem estudos conclusivos sobre sua eficácia e segurança. Muitas vezes, essas substâncias são liberadas para uso por meio de decisões judiciais, gerando debates e polêmicas entre especialistas da área da saúde. Esse é o caso de uma substância que vem sendo utilizada por 28 pacientes em todo o país, mesmo sem comprovação científica de sua efetividade. Enquanto alguns aplaudem a iniciativa, outros apontam a falta de dados robustos como um risco para a saúde dos pacientes.
A substância em questão é o canabidiol, um composto químico encontrado na planta da maconha. Desde 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza a importação do canabidiol para uso medicinal mediante prescrição médica, mas apenas para pacientes com doenças consideradas raras e de difícil tratamento. No entanto, a demanda por essa substância tem sido cada vez maior, principalmente por parte de pacientes com epilepsia refratária, que não respondem aos tratamentos convencionais.
Diante dessa situação, muitas famílias têm recorrido à Justiça para obter a autorização de uso do canabidiol, mesmo sem terem indicação médica. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apenas em 2019, foram concedidos mais de 2 mil pedidos para importação da substância. Essa decisão, que pode parecer positiva para alguns, também gera preocupação entre especialistas.
Um dos principais argumentos dos críticos é a falta de estudos que comprovem a eficácia e a segurança do uso do canabidiol. Atualmente, existem pesquisas em andamento sobre o tema, mas ainda não há resultados conclusivos. Além disso, a Anvisa não reconhece o canabidiol como um medicamento, mas sim como um suplemento alimentar, o que dificulta a regulamentação e o controle sobre seu uso.
Por outro lado, há relatos de pacientes que afirmam ter tido melhora em seu quadro clínico após o uso do canabidiol. A história de Sophia, de 4 anos, é um exemplo disso. Diagnosticada com a síndrome de Dravet, uma forma rara e grave de epilepsia, a menina chegou a ter cerca de 300 crises convulsivas por dia. Após o início do tratamento com canabidiol, as convulsões diminuíram em 90%, possibilitando uma maior qualidade de vida para Sophia e sua família.
Além disso, há evidências de que o canabidiol pode ser eficaz no tratamento de outras doenças, como esquizofrenia, ansiedade, artrite reumatoide e até mesmo câncer. No entanto, a falta de estudos conclusivos impede que a substância seja amplamente prescrita para esses fins.
Um dos principais desafios em relação ao uso do canabidiol é a sua produção e importação, que são controladas pelo governo e sujeitas a taxas e burocracias. Isso acaba encarecendo o tratamento e dificultando o acesso a muitos pacientes que poderiam se beneficiar da substância. Por isso, muitos defendem a regulamentação do uso do canabidiol como um medicamento, o que facilitaria sua produção e distribuição, além de garantir a qualidade do produto.
Enquanto isso, os pacientes que já utilizam o canabidiol seguem em busca de melhorias em sua saúde. Para eles, a decisão judicial que autorizou o uso da substância é vista como uma esperança de cura ou alívio para seus sintomas. No ent









