Recentemente, o secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Alex Azar, causou polêmica ao afirmar que uma dieta baseada em mais gorduras e menos carboidratos pode “curar” a esquizofrenia. A declaração foi feita durante uma conferência sobre saúde mental e trouxe à tona uma discussão sobre a relação entre alimentação e saúde mental.
Segundo Azar, estudos recentes mostram que uma dieta rica em gorduras saudáveis, como as encontradas em peixes, nozes e abacate, e pobre em carboidratos refinados, como pão branco e açúcar, pode ser benéfica para pacientes com esquizofrenia. Ele ainda afirmou que essa dieta pode ser mais eficaz do que os medicamentos tradicionais no tratamento da doença.
No entanto, ao analisar os estudos citados pelo secretário, é possível notar que eles estão longe de sustentar essa tese. Um dos principais estudos mencionados foi realizado por pesquisadores da Universidade de Yale e publicado na revista científica Nature Communications. Nele, os pesquisadores acompanharam 40 pacientes com esquizofrenia que seguiram uma dieta com baixo teor de carboidratos e alta em gorduras saudáveis por 12 semanas. Os resultados mostraram uma melhora nos sintomas da doença em comparação com o grupo controle, que seguiu uma dieta padrão.
No entanto, é importante ressaltar que esse estudo foi realizado em um grupo muito pequeno de pacientes e por um período relativamente curto de tempo. Além disso, os pesquisadores não afirmaram que a dieta pode “curar” a esquizofrenia, mas sim que pode ser uma opção complementar ao tratamento tradicional.
Outro estudo citado por Azar foi realizado por pesquisadores da Universidade de Maryland e publicado na revista Schizophrenia Research. Nesse estudo, os pesquisadores analisaram a relação entre a dieta e a gravidade dos sintomas da esquizofrenia em 100 pacientes. Os resultados mostraram que aqueles que consumiam mais gorduras saudáveis e menos carboidratos apresentaram sintomas menos graves da doença.
No entanto, assim como no estudo anterior, os pesquisadores não afirmaram que a dieta pode ser uma cura para a esquizofrenia. Além disso, é importante destacar que esse estudo foi observacional, ou seja, não foi possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre a dieta e os sintomas da doença.
É compreensível que a declaração do secretário tenha gerado expectativas e esperanças em pacientes e familiares de pessoas com esquizofrenia. No entanto, é importante ter cautela e não acreditar em soluções milagrosas. A esquizofrenia é uma doença complexa e multifatorial, que requer um tratamento individualizado e multidisciplinar.
Além disso, é importante lembrar que a alimentação saudável é benéfica para a saúde de forma geral, incluindo a saúde mental. Uma dieta equilibrada, rica em nutrientes e pobre em alimentos processados pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de pacientes com esquizofrenia, mas não deve ser vista como uma cura.
É preciso ter cuidado para não criar falsas expectativas e desacreditar o tratamento tradicional, que inclui o uso de medicamentos e terapias. A esquizofrenia é uma doença que pode ser controlada, mas ainda não tem cura. É fundamental que os pacientes sigam o tratamento indicado por seus médicos e não abandonem os medicamentos sem orientação.
Em resumo, a declaração do secretário de Saúde dos EUA sobre a dieta como “cura” para a esquizofrenia não tem embasamento científico suficiente para ser considerada uma verdade absoluta









