O centenário do escritor português Luiz Pacheco é celebrado este ano e, apesar de já terem passado 14 anos desde a sua morte, o seu legado literário continua a ser uma fonte de interesse e inspiração para muitos. Entre as várias iniciativas que marcam esta data especial, destaca-se o trabalho em torno do seu espólio inédito, nomeadamente os seus diários, ainda por transcrever e publicar. O académico Rui Sousa, responsável por este projeto, considera-o como um dos “aspectos importantes” na comemoração do centenário do escritor.
Luiz Pacheco nasceu em 1925, em Lisboa, e é considerado um dos grandes nomes da literatura portuguesa do século XX. Foi um escritor controverso e provocador, conhecido pelas suas posições políticas e literárias radicais, que o levaram a ser perseguido pelo regime ditatorial do Estado Novo. Apesar das dificuldades e censura, Pacheco nunca deixou de escrever e publicar, deixando um vasto legado literário que continua a ser admirado e estudado até hoje.
No entanto, o trabalho em torno do espólio inédito de Luiz Pacheco é uma tarefa que ainda está por concluir. Entre os seus pertences, encontram-se os seus diários, que contêm um registo íntimo e pessoal da sua vida e obra. Estes diários, que abrangem um período de mais de 50 anos, são considerados uma fonte preciosa de informação sobre o escritor e a sua época, mas ainda não foram transcritos e publicados na sua totalidade.
É aqui que entra o trabalho de Rui Sousa, professor e investigador da Universidade de Coimbra, que desde 2018 tem dedicado o seu tempo e esforço a este projeto. Em entrevista à agência Lusa, Sousa afirma que o objetivo é “transcrever e publicar os diários de Luiz Pacheco, bem como outros documentos inéditos que se encontram no seu espólio”. Para além disso, pretende também “organizar uma exposição com alguns desses documentos e realizar um colóquio internacional sobre a obra e o legado de Pacheco”.
Este trabalho é de extrema importância para a compreensão e valorização da obra de Luiz Pacheco. Os seus diários são uma fonte privilegiada para conhecermos o seu processo criativo, as suas influências e as suas reflexões sobre a literatura e a sociedade. Além disso, permitem-nos ter uma visão mais completa e íntima do escritor, que muitas vezes se revelava através da sua escrita.
Para Rui Sousa, o processo de transcrição dos diários tem sido desafiante, mas também muito gratificante. “É um trabalho minucioso e demorado, mas que nos permite entrar no mundo de Pacheco e compreender melhor a sua escrita”, afirma o académico. Além disso, acrescenta que “a colaboração com a família do escritor tem sido fundamental para este projeto, pois é ela que detém o espólio e tem sido muito generosa ao disponibilizá-lo para a investigação”.
O objetivo final é publicar os diários de Luiz Pacheco em formato de livro, o que permitirá ao público em geral ter acesso a estes documentos inéditos. Para além disso, Rui Sousa pretende também divulgar o trabalho através de conferências e colóquios, de forma a promover a discussão e o interesse pela obra do escritor.
A iniciativa em torno do espólio inédito de Luiz Pacheco é, sem dúvida, uma mais-valia para a celebração do seu centenário. Este trabalho permitirá uma maior compreensão e valorização da sua obra, bem como a preservação da sua memória. Além









