A World Press Photo é uma das mais prestigiadas organizações do mundo no campo da fotografia documental. Todos os anos, eles premiam os melhores trabalhos de fotojornalismo, retratando histórias que impactam o mundo e despertam a consciência das pessoas. Entre os vencedores mais famosos está a fotografia “A Menina do Napalm”, capturada pelo fotojornalista vietnamita Nick Út em 1972.
No entanto, recentemente, a World Press Photo suspendeu a autoria dessa icônica imagem após a estreia do documentário “The Stringer”, de Bao Nguyen. O filme questiona a atribuição da fotografia a Nick Út e levanta dúvidas sobre seu papel na criação da imagem. Essa decisão causou um grande debate entre os amantes da fotografia e gerou polêmica em todo o mundo.
“A Menina do Napalm” é uma das imagens mais poderosas da história da fotografia. Ela retrata Phan Thi Kim Phuc, uma menina vietnamita de nove anos, correndo nua e com dor após ser atingida por um bombardeio com napalm durante a Guerra do Vietnã. A fotografia ganhou o Prêmio Pulitzer em 1973 e se tornou um símbolo da crueldade e da violência da guerra. No entanto, o documentário “The Stringer” contesta a autoria dessa imagem e levanta a hipótese de que ela foi encenada.
Segundo o filme, a fotografia foi encenada por Nick Út e seu chefe de redação, o lendário fotojornalista Horst Faas. Eles teriam mudado a história original da imagem, que mostrava Phan Thi Kim Phuc no meio de outras crianças feridas, para torná-la mais impactante. Além disso, o documentário sugere que a menina não estava realmente nua e que ela e sua família foram pagas para participar da encenação.
Essas acusações deixaram muitas pessoas surpresas e geraram uma grande repercussão na comunidade fotográfica. A World Press Photo decidiu, então, suspender a autoria da imagem até que a questão seja resolvida. Em uma declaração oficial, eles afirmam que estão cientes das discussões sobre a autenticidade da fotografia e que estão investigando o assunto. Eles também afirmam que são comprometidos com a integridade e a transparência em relação às suas premiações e que irão tomar as medidas necessárias para esclarecer esse caso.
Enquanto isso, Nick Út, que agora tem 69 anos, nega qualquer manipulação ou encenação da imagem. Em entrevistas, ele declarou que a fotografia é real e que ele apenas mudou a história original para mostrar a menina correndo sozinha, já que a agência de notícias Associated Press, para a qual ele trabalhava, não podia publicar imagens com outras crianças nuas. Além disso, ele afirma que não recebeu nenhum pagamento pela fotografia e que estava apenas cumprindo seu papel de documentar os horrores da guerra.
Bao Nguyen, diretor do documentário, também defende sua produção e afirma que não está tentando desacreditar a fotografia, mas sim questionar a autoria e a narrativa original. Ele também acredita que essa discussão é importante para refletir sobre o papel do fotojornalismo na manipulação da realidade e na criação de imagens que impactam o mundo.
Independentemente da verdade por trás dessa polêmica, é inegável que “A Menina do Napalm” é uma fotografia poderosa e que teve um impacto significativo na história da humanidade. Ela se tornou um símbolo de luta e de esperança, mostrando as consequências devastadoras da guerra para os civis. A suspensão da autoria pela World Press Photo








