Dezenas de realizadores europeus lançaram hoje um manifesto pedindo à União Europeia que mantenha as proteções ao cinema, incluindo as regras de exceção cultural, diante da pressão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e suas políticas de guerra comercial.
O manifesto, intitulado “Por um cinema europeu forte e diversificado”, foi assinado por mais de 60 cineastas de renome, incluindo os vencedores do Oscar Pedro Almodóvar, Michel Hazanavicius e Jean-Pierre e Luc Dardenne. Eles alertam para o perigo de uma possível erosão da cultura europeia e da diversidade cinematográfica, caso as políticas comerciais dos Estados Unidos sejam impostas à União Europeia.
O principal ponto de preocupação dos realizadores é a possível eliminação da cláusula de exceção cultural nas negociações comerciais entre a UE e os EUA. Essa cláusula, presente no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e na Organização Mundial do Comércio (OMC), permite que os países mantenham suas políticas culturais e cinematográficas, protegendo-as de possíveis interferências comerciais.
No entanto, Trump tem pressionado a UE para que abra mão dessa cláusula, alegando que ela é uma barreira ao comércio e à livre concorrência. O Presidente dos EUA tem adotado uma postura agressiva em relação ao comércio internacional, ameaçando impor tarifas sobre produtos europeus e desafiando as regras comerciais estabelecidas.
Os realizadores europeus argumentam que o cinema é muito mais do que um produto comercial, é uma forma de arte e expressão cultural que reflete a identidade e a diversidade de cada país. Eles afirmam que, sem a proteção da cláusula de exceção cultural, a indústria cinematográfica europeia ficaria vulnerável à influência e à dominação dos grandes estúdios de Hollywood.
Além disso, os cineastas destacam que a indústria cinematográfica europeia é um importante setor econômico, que gera empregos e contribui para o crescimento e desenvolvimento dos países. Apenas em 2018, os filmes europeus representaram 27% da bilheteria mundial, gerando uma receita de 8,2 bilhões de euros.
O manifesto também ressalta a importância da diversidade cultural no cinema europeu, que abrange uma ampla gama de idiomas, histórias e perspectivas. Os realizadores alertam que, sem a proteção da cláusula de exceção cultural, a indústria cinematográfica europeia seria dominada por produções americanas, o que resultaria em uma perda de identidade e diversidade cultural.
Os signatários do manifesto também pedem à UE que continue a apoiar a produção e distribuição de filmes europeus, por meio de programas de financiamento e cotas de exibição. Eles destacam que essas medidas são fundamentais para garantir que o cinema europeu continue a existir e a prosperar.
O manifesto foi lançado em um momento crucial, em que a UE e os EUA estão em negociações comerciais para um possível acordo. Os realizadores esperam que a voz deles seja ouvida e que a UE permaneça firme em sua defesa da cultura e do cinema europeu.
O apelo dos cineastas europeus tem recebido grande apoio da indústria cinematográfica e cultural, bem como de líderes políticos. O Presidente da França, Emmanuel Macron, já se manifestou em defesa da cláusula de exceção cultural e da diversidade cultural na Europa.
Em resumo, o manifesto lançado pelos realizadores europeus é um apelo à preservação da identidade e diversidade cultural do cinema europeu. Eles pedem à UE que não ceda às pressões









