Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que acontecerá em novembro de 2021, o Brasil terá a oportunidade de finalmente colocar a saúde no centro das discussões sobre o tema. Isso porque, pela primeira vez, a saúde será um dos temas principais da COP, com um dia inteiro dedicado a debater a relação entre as mudanças climáticas e a saúde humana.
Essa inclusão é extremamente importante, pois muitas vezes a saúde é deixada de lado nas discussões sobre o clima, apesar de ser um dos setores mais afetados pelas consequências das mudanças climáticas. Afinal, os impactos do aumento das temperaturas, da poluição do ar e da água, da degradação dos ecossistemas e de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, são sentidos diretamente pela população, principalmente pelos mais vulneráveis.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mudanças climáticas são responsáveis por mais de 150 mil mortes por ano em todo o mundo. E esse número tende a aumentar se medidas efetivas não forem tomadas para mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas. No Brasil, por exemplo, o aumento da temperatura e da umidade favorece a proliferação de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, a zika e a chikungunya. Além disso, a poluição do ar é responsável por cerca de 50 mil mortes anuais no país, segundo dados do Ministério da Saúde.
Diante desse cenário, é fundamental que a saúde seja colocada no centro das discussões sobre mudanças climáticas. E a COP 30 é uma oportunidade única para o Brasil assumir um papel de liderança nesse debate. O país é um dos mais afetados pelas mudanças climáticas, com uma extensa costa e uma grande biodiversidade, além de possuir uma população que depende diretamente dos recursos naturais para sua subsistência.
Além disso, o Brasil tem uma das maiores redes de atenção básica à saúde do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS), que é referência internacional e pode ser uma importante ferramenta para enfrentar os desafios relacionados à saúde e às mudanças climáticas. É preciso aproveitar essa estrutura para promover ações de adaptação e mitigação, além de investir em políticas públicas que visem a redução das emissões de gases de efeito estufa e a preservação do meio ambiente.
Mas para que isso aconteça, é necessário que haja uma integração entre os setores da saúde e do meio ambiente. É preciso que os profissionais de saúde estejam preparados para lidar com os impactos das mudanças climáticas na saúde, e que os gestores públicos desenvolvam políticas que levem em conta essa relação. Além disso, é fundamental que a sociedade civil esteja engajada e cobre ações concretas dos governantes.
A inclusão da saúde como um dos temas principais da COP 30 também é uma oportunidade para que o Brasil mostre ao mundo seu compromisso com a agenda ambiental e com a saúde da população. Além disso, pode ser um estímulo para que outros países também incluam a saúde em suas discussões sobre mudanças climáticas.
Portanto, é hora de aproveitar essa oportunidade e colocar a saúde no centro das discussões sobre mudanças climáticas. É preciso que o Brasil assuma seu papel de protagonista nesse debate e trabalhe em conjunto com outros países para encontrar soluções efetivas e urgentes para proteger o meio ambiente e a saúde das pessoas. Afinal, não podemos mais ignorar os impactos das mudanças climáticas na saúde e é responsabilidade de todos agir para garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.









