No mundo atual, tem se tornado cada vez mais comum a existência de sociedades que, apesar de serem consideradas iliberais, alcançaram um grande sucesso material e econômico. Muito se tem discutido sobre a eficácia de sistemas políticos que não se baseiam na democracia, levantando questionamentos sobre a validade da democracia como forma de governo. Porém, ainda que existam sistemas iliberais que tenham conseguido prosperar, é importante lembrarmos que a democracia não é um sistema anacrônico e nem deve ser descartada. Apesar de todas as suas imperfeições, ela continua sendo um modelo de governo essencial para a garantia da liberdade e do bem-estar de uma sociedade.
Antes de qualquer coisa, é importante entender o que significa o conceito de iliberalismo. Isso se refere aos sistemas políticos que possuem características autoritárias e limitam as liberdades individuais e políticas dos cidadãos. Na prática, isso se traduz em um governo centralizado, onde as decisões são tomadas por uma pequena elite, sem a participação ou voz da população. Podemos citar como exemplos de países iliberais a China, a Rússia e o Irã, que apesar de apresentarem um crescimento econômico, também possuem altos índices de violações dos direitos humanos.
Em contrapartida, temos a democracia, que é uma forma de governo em que o poder é exercido pelo povo, através de eleições livres e periódicas, garantindo a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias. No entanto, é válido reconhecer que a democracia também apresenta suas falhas, como a corrupção, a polarização política e a dificuldade de tomar decisões efetivas em um cenário de burocracia e desigualdades sociais. Porém, é importante ressaltar que esses problemas não são intrínsecos à democracia, mas sim decorrentes de falhas em sua prática.
Ao analisar as sociedades iliberais e suas conquistas materiais, muitos levantam a questão se a liberdade política e individual são realmente necessárias para o sucesso de um país. No entanto, é preciso lembrar que uma sociedade verdadeiramente próspera não é apenas aquela que possui um alto desenvolvimento econômico, mas também aquela que garante os direitos e a dignidade de seus cidadãos. Um país onde as liberdades são cerceadas, as vozes são caladas e as diferenças são ignoradas, não pode ser considerado plenamente bem-sucedido.
Além disso, é importante lembrar que o sucesso material de uma sociedade iliberal pode ser temporário e superficial. Quando um país não permite a participação do povo em suas decisões e não garante a liberdade de expressão, isso pode gerar um descontentamento social que, no longo prazo, pode levar a revoltas e instabilidades políticas, colocando em risco o desenvolvimento alcançado. Um exemplo disso é a Primavera Árabe, que começou em 2010 e derrubou governos autoritários no Oriente Médio, mostrando que, mesmo com bons indicadores econômicos, a opressão e a falta de liberdade não são sustentáveis a longo prazo.
Outra questão importante a ser levantada é que, em uma sociedade iliberal, o sucesso material não é desfrutado de maneira igualitária por todos os cidadãos. Os privilégios e as oportunidades são concentrados apenas nas mãos da elite no poder, enquanto a maioria da população vive em condições precárias e sem acesso às mesmas oportunidades. Dessa forma, a desigualdade social e a falta de mobilidade social são características marcantes desses sistemas, o que não é compatível









