O câncer é uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e a jornada dos pacientes oncológicos é repleta de desafios físicos, emocionais e financeiros. Além dos efeitos colaterais dos tratamentos, muitos pacientes também enfrentam as chamadas “toxicidades invisíveis”, que podem ser igualmente difíceis de lidar.
Para falar sobre esse assunto, conversamos com Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, uma organização sem fins lucrativos que atua na defesa dos direitos dos pacientes com câncer. Luciana é uma das principais vozes na luta pela melhoria da qualidade de vida dos pacientes oncológicos e alerta para a importância de se discutir as toxicidades invisíveis e suas consequências.
Mas afinal, o que são as toxicidades invisíveis? São os efeitos colaterais que não são facilmente identificados ou mensurados, mas que causam impacto significativo na vida dos pacientes. Entre eles, estão a fadiga, a ansiedade, a depressão, a insônia, a perda de memória e a dificuldade de concentração. Esses sintomas podem ser causados pelos próprios tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, ou pelas mudanças na rotina e no estilo de vida dos pacientes.
Segundo Luciana Holtz, essas toxicidades invisíveis podem ser tão ou até mais difíceis de lidar do que os efeitos colaterais físicos. “Muitas vezes, os pacientes não recebem o suporte necessário para enfrentar esses sintomas, o que pode afetar sua qualidade de vida e até mesmo comprometer o sucesso do tratamento”, explica.
Diante desse cenário, o Instituto Oncoguia tem buscado conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a importância de se discutir e tratar as toxicidades invisíveis. E essa luta ganhou um importante aliado recentemente: a nova Política Nacional de Atenção Oncológica, lançada pelo Ministério da Saúde em março deste ano.
A nova política tem como objetivo melhorar a assistência aos pacientes com câncer, desde o diagnóstico até o acompanhamento pós-tratamento. Entre as medidas previstas, está a criação de um protocolo de cuidados paliativos, que inclui o tratamento das toxicidades invisíveis. “Essa é uma grande conquista para os pacientes oncológicos, pois agora teremos um direcionamento claro para lidar com esses sintomas e garantir uma melhor qualidade de vida”, comemora Luciana.
Além disso, a nova política também prevê a ampliação do acesso a medicamentos e tratamentos, a melhoria da infraestrutura dos hospitais e a capacitação dos profissionais de saúde. “Tudo isso é fundamental para garantir um tratamento mais humanizado e eficaz para os pacientes com câncer”, destaca a presidente do Instituto Oncoguia.
No entanto, Luciana ressalta que ainda há muito a ser feito. “A nova política é um grande passo, mas é preciso que ela seja colocada em prática e que haja um comprometimento real das autoridades e da sociedade em garantir uma assistência de qualidade aos pacientes oncológicos”, afirma.
E para os pacientes que estão enfrentando as toxicidades invisíveis, Luciana deixa uma mensagem de esperança e motivação: “Não desistam! É normal sentir-se cansado, ansioso ou triste durante o tratamento, mas é importante buscar ajuda e apoio. Lembre-se de que você não está sozinho nessa jornada e que é possível superar esses desafios e vencer o câncer”.
Em resumo, as toxicidades invisíveis são um aspecto importante e muitas vezes negligenciado na jornada dos pacientes oncológicos. Com a nova Política Nacional de Atenção Oncológica, há uma esperança de que









