A moralidade é um conceito presente em praticamente todas as sociedades humanas, guiando as ações e comportamentos individuais e coletivos. Porém, muitas vezes, a moralidade é considerada como algo subjetivo, baseado unicamente em crenças e valores culturais. No entanto, a ciência tem mostrado que existem fundamentos biológicos que sustentam os princípios morais, e que ser gentil não é apenas uma questão cultural, mas sim um comportamento benéfico para a sobrevivência individual e da espécie.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard apresentou um jogo simples que demonstra como a gentileza é um componente importante para a sobrevivência e colaboração em grupos. No jogo, cada participante recebe uma quantidade de pontos e pode decidir quanto dos seus pontos irá compartilhar com outro jogador. O jogador que recebe os pontos pode escolher entre devolvê-los ao remetente com um bônus, ou manter todos os pontos para si. Ao final de cada rodada, os pontos são somados e aqueles que compartilharam seus pontos têm mais chances de sobreviver no jogo.
Através deste jogo, os pesquisadores puderam observar que os jogadores tendem a doar mais pontos quando jogam com pessoas que se comportam de maneira generosa, em comparação com aqueles que se comportam de maneira egoísta. Isso sugere que a gentileza é contagiosa e pode influenciar as ações das pessoas ao seu redor.
A explicação para esse comportamento baseia-se nas teorias da evolução, que demonstram como o altruísmo e a reciprocidade são estratégias benéficas para a sobrevivência. Quando um indivíduo ajuda outro, ele aumenta as chances de sobrevivência do outro, que pode compartilhar recursos ou oferecer ajuda em situações futuras. Dessa forma, ser gentil e altruísta é uma forma de investimento, pois no futuro pode trazer benefícios.
Além disso, estudos de neurociência mostram que o cérebro humano é programado para recompensar ações altruístas. Quando alguém realiza uma boa ação, o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor relacionado ao prazer e recompensa. Isso significa que ajudar os outros pode nos trazer alegria e bem-estar emocional, o que reforça ainda mais a importância da gentileza para a nossa saúde e bem-estar.
A gentileza também está fortemente ligada ao desenvolvimento de relações sociais saudáveis. Quando somos gentis, criamos vínculos com as pessoas ao nosso redor, o que nos proporciona uma rede de apoio e suporte em momentos difíceis. Além disso, a gentileza também pode gerar conexão com pessoas de diferentes culturas e backgrounds, promovendo o respeito e a compreensão entre os indivíduos da sociedade.
Mas, ser gentil não significa ser fraco ou ingênuo. Muitas vezes, a cultura popular associa a gentileza com uma postura passiva e submissa. No entanto, ser gentil também envolve saber estabelecer limites e respeitar a si mesmo e aos outros. A gentileza não deve ser vista como uma fraqueza, mas sim como uma força que pode contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e empática.
Além disso, a gentileza não deve ser um comportamento condicionado apenas pela esperança de recompensa ou medo de punição. O verdadeiro altruísmo é aquele que nasce da compaixão e empatia, do desejo genuíno de ajudar e fazer o bem ao próximo. E isso também é uma habilidade que pode ser treinada e aperfeiçoada ao longo da vida.
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