A expectativa de cortes da Selic tem sido um alívio para muitos investidores no curto prazo, mas ainda não resolve o peso do juro real longo. Essa é a avaliação dos analistas do Itaú BBA, que indicam cautela com os investimentos em meio a um cenário de incertezas econômicas.
Nos últimos meses, a taxa básica de juros (Selic) tem sido reduzida pelo Banco Central, chegando a atingir a mínima histórica de 2% ao ano. Essa medida tem como objetivo estimular a economia e incentivar o consumo, principalmente em um momento de crise causada pela pandemia do novo coronavírus.
No entanto, mesmo com a expectativa de novos cortes da Selic, o juro do Tesouro IPCA+ (título público que acompanha a inflação) segue nas alturas. Mas por quê?
De acordo com os analistas do Itaú BBA, essa alta do juro real longo é reflexo da incerteza em relação ao futuro da economia brasileira. Com a pandemia ainda em curso e sem uma previsão concreta de quando a situação irá se normalizar, os investidores estão mais cautelosos e exigindo maiores taxas de retorno para investir em títulos públicos.
Além disso, a inflação também tem um papel importante nessa equação. Apesar de estar controlada no momento, os analistas acreditam que ela pode voltar a subir no futuro, o que aumenta a percepção de risco dos investidores e, consequentemente, as taxas de juros.
Outro fator que contribui para a alta do juro real longo é a política monetária adotada pelo Banco Central. Com a Selic em patamares tão baixos, o BC tem menos espaço para atuar em caso de uma possível alta da inflação. Isso gera uma expectativa de que, no futuro, a taxa básica de juros possa subir novamente, o que impacta diretamente nas taxas de juros dos títulos públicos.
Diante desse cenário, os analistas do Itaú BBA recomendam cautela com os investimentos. É importante diversificar a carteira e buscar alternativas de investimento que possam oferecer uma maior proteção contra a volatilidade do mercado.
Uma das opções indicadas pelos analistas é o investimento em ações de empresas sólidas e com bons fundamentos. Apesar da volatilidade do mercado de ações, essas empresas tendem a se recuperar mais rapidamente em momentos de crise e oferecem um potencial de valorização a longo prazo.
Outra alternativa é investir em fundos multimercados, que possuem uma maior flexibilidade para se adaptar às mudanças do mercado e podem oferecer uma rentabilidade mais atrativa em comparação com os títulos públicos.
É importante ressaltar que, apesar da alta do juro real longo, os títulos públicos ainda são uma opção interessante para quem busca segurança e liquidez em seus investimentos. No entanto, é preciso estar atento às taxas oferecidas e avaliar se elas estão de acordo com o seu perfil de investidor e com as suas expectativas de retorno.
Em resumo, a expectativa de cortes da Selic pode trazer um alívio para os investidores no curto prazo, mas é preciso ter cautela e estar preparado para enfrentar um cenário de incertezas no longo prazo. Diversificar a carteira e buscar alternativas de investimento mais adequadas ao seu perfil são medidas essenciais para enfrentar esse momento de volatilidade e garantir uma boa rentabilidade.









