Aliado de Trump divulga imagem fake de Moraes com tornozeleira
Jason Miller publica montagem de IA com Alexandre de Moraes em tornozeleira eletrônica, citando crise do Banco Master no STF

Publicação de aliado de Trump gera controvérsia
Jason Miller, figura próxima ao presidente americano Donald Trump, compartilhou uma imagem de inteligência artificial que retrata o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com uma tornozeleira eletrônica. O conteúdo foi divulgado no domingo à noite pelas redes sociais, acompanhado de um trecho de reportagem do jornal Financial Times sobre a instituição.
A publicação de Miller representa uma escalada em suas críticas ao magistrado brasileiro. O ex-assessor de Trump frequentemente utiliza plataformas digitais para comentar sobre autoridades do Brasil, particularmente sobre a atuação de Moraes no contexto das investigações que envolvem o país.
Conteúdo da imagem e referências citadas
Na composição gerada por inteligência artificial, Moraes aparece sentado nos degraus que simulam a arquitetura da fachada do Supremo Tribunal, portando uma tornozeleira eletrônica no tornozelo. Miller acompanhou a imagem com um excerto do Financial Times que menciona: "Essa revelação fez de Moraes um dos principais focos do crescente escândalo de corrupção provocado pelo colapso, no ano passado, do Banco Master, uma instituição financeira de US$ 10 bilhões".
A reportagem do veículo internacional sugere que o escândalo envolvendo a instituição financeira mergulhou o Supremo em uma crise sem precedentes, ampliando as discussões sobre possíveis conflitos de interesse dentro da Corte.
Histórico de críticas de Miller contra autoridades brasileiras
O ex-braço direito de Trump já demonstrou interesse recorrente em questões relacionadas ao Brasil e seus líderes. Em agosto de 2025, Miller publicou mensagens críticas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, utilizando expressões ofensivas e fazendo comparações desfavoráveis com o ex-presidente americano Joe Biden.
Além disso, Miller integrou a equipe de transição de Trump após a vitória nas eleições presidenciais americanas e continua mantendo uma relação próxima com o atual presidente dos Estados Unidos. Durante o primeiro mandato de Trump, Miller atuou como um de seus principais assessores.
Passado de Miller no Brasil
Em 2021, após uma viagem a Brasília na qual visitou o deputado Eduardo Bolsonaro do PL de São Paulo, Miller foi conduzido por policiais federais no Aeroporto Internacional de Brasília. O ex-assessor foi entrevistado no âmbito do Inquérito das Fake News, que era conduzido à época pelo ministro Moraes.
A crise do Banco Master e seus desdobramentos
O cenário de turbulência no Supremo Tribunal Federal intensificou-se no início de setembro quando o ministro André Mendonça decidiu remover o sigilo de um relatório elaborado pela Polícia Federal. Este documento, produzido durante investigações sobre o Banco Master, revelou comunicações e contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
As investigações relacionadas à instituição financeira também trouxeram à superfície relações de Vorcaro com outros membros da Corte e transações comerciais envolvendo dependentes de magistrados, intensificando indagações sobre eventuais conflitos de interesse e condutas inadequadas dentro da instituição.
Tensões internas e medidas do presidente Fachin
A divulgação do material desencadeou um confronto público no interior do Tribunal. Em resposta, Moraes solicitou a abertura de investigação contra Mendonça, acusando-o de abuso de autoridade em suas ações.
A situação agravou-se com determinações contraditórias entre ministros, incluindo o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ordenado por Mendonça, seguido por sua reintegração mediante decisão de Flávio Dino. Esta sequência de atos revelou profundas divisões na Corte.
Diante da escalada de tensões, o presidente do Supremo, Luís Roberto Fachin, passou a concentrar as decisões relacionadas à crise. Fachin anulou medidas conflitantes de seus colegas, manteve Andrei Rodrigues no cargo de diretor da Polícia Federal, removeu Moraes da responsabilidade de relator do inquérito sobre fake news e estabeleceu que procedimentos envolvendo investigações contra ministros sejam submetidos previamente à Presidência do tribunal.
Sessões plenárias agendadas
Fachin marcou para terça-feira uma sessão do plenário destinada a examinar o relatório da Polícia Federal que documenta as relações entre Moraes e Vorcaro, bem como o pedido da Procuradoria-Geral da República para sua anulação. Adicionalmente, uma sessão para análise da conduta de Mendonça foi programada para 23 de setembro, sinalizando o prolongamento do período turbulento institucional que afeta a credibilidade do Tribunal.