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Brasil reduz nível diplomático com Argentina enquanto Milei atacar Lula

Brasil rebaixa relações diplomáticas com Argentina. Governo mantém embaixador no Brasil enquanto presidente argentino Milei fizer ataques ao presidente Lula e a...

Brasil reduz nível diplomático com Argentina enquanto Milei atacar Lula
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Brasil rebaixa nível diplomático com Argentina

O governo brasileiro decidiu reduzir o nível de relações diplomáticas com a Argentina em resposta aos ataques contínuos do presidente Javier Milei contra autoridades brasileiras. A medida anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores representa um passo significativo na deterioração das relações entre os dois países vizinhos. O embaixador brasileiro será mantido no Brasil enquanto Milei persistir em fazer declarações ofensivas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades do país.

A decisão reflete o crescente desgaste nas relações diplomáticas Brasil Argentina, que vinha se acumulando há meses. O governo Lula já havia adotado várias medidas de protesto contra as falas agressivas do mandatário argentino, mas a escalada recente de insultos levou à formalização desta redução de relações diplomáticas.

O discurso inflamado na convenção do PL

O ponto de maior tensão ocorreu em 25 de julho de 2026, quando Milei participou da convenção nacional do Partido Liberal, que oficializou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República. Durante seu discurso no evento em São Paulo, o presidente argentino fez críticas ácidas ao socialismo e defendeu uma agenda de liberdade econômica.

Na mesma ocasião, Milei proferiu insultos diretos a autoridades brasileiras. Chamou Lula de "ladrão", "corrupto", "presidiário" e "lixo socialista". Também se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como "lixo careca", após ter recebido uma negação de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Estas declarações foram classificadas pelo governo brasileiro como sem precedentes.

Resposta diplomática do Brasil

A reação do governo brasileiro foi imediata e contundente. O Palácio do Planalto convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para uma reunião formal a fim de manifestar o descontentamento. Simultaneamente, o Itamaraty chamou para consultas em Brasília o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, determinando que o diplomata não retornaria à Argentina enquanto a crise não fosse resolvida.

O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil considera o caso grave, porém descartou por enquanto medidas mais severas, como a retirada total de representantes diplomáticos. Esta postura reflete uma tentativa de equilibrar a firmeza da protesta com a manutenção de um mínimo de relação institucional entre os países.

Sequência de provocações de Milei

Os ataques do presidente argentino não se limitaram ao evento de julho. Em 27 de julho, Milei compartilhou múltiplas publicações de apoiadores com críticas ao presidente brasileiro. Em apenas quatro horas, foram cinco posts diferentes sobre Lula. As publicações criticavam a atuação do governo brasileiro nas eleições presidenciais argentinas de 2023 e remontavam à visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, que estava em prisão domiciliar após condenação por corrupção.

Naquela mesma data, em entrevista concedida a uma rádio argentina, Milei acusou o governo Lula de financiar uma suposta "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo, afirmação feita sem apresentar evidências concretas. O presidente argentino alegou que o governo brasileiro teria investido 25% dos recursos da campanha, e justificou seus ataques como uma resposta ao que seria a participação de brasileiros na campanha de Sergio Massa, seu oponente derrotado em 2023.

As provocações continuaram em agosto de 2026. Em entrevista à emissora argentina LN+, transmitida no domingo 2 de agosto, Milei voltou a atacar Lula, chamando-o de "ladrão" e "corrupto", além de questionar as decisões judiciais que anularam as condenações do petista na Operação Lava Jato. Defendendo suas declarações, Milei argumentou que "é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar" e classificou suas falas como "palavras espontâneas".

Resposta de Lula aos ataques

Inicialmente, o presidente brasileiro evitou entrar diretamente no embate. Quando questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu com ironia: "Quem é esse cara?". Esta postura refletia uma tentativa de não amplificar o conflito através de respostas diretas.

Dias depois, porém, Lula adotou um tom mais assertivo e classificou a participação de Milei na convenção do PL como uma "patacoada". Durante um ato do PSB, o presidente brasileiro afirmou que não aceitaria interferências externas no processo político do país, embora evitasse se envolver em trocas agressivas de palavras com o colega argentino.

"Vocês viram aqui a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa", afirmou Lula em discurso público, demonstrando sua estratégia de manter a dignidade presidencial sem responder aos insultos de forma similar.

Histórico de tensões anteriores

Os conflitos entre Milei e o governo brasileiro não iniciaram recentemente. Ainda durante sua campanha presidencial argentina em 2023, Milei chamou Lula de "comunista" e "corrupto" em um programa de televisão. Em sua primeira viagem ao Brasil como presidente eleito, Milei deliberadamente não teve compromissos com autoridades do governo federal, optando por participar de um encontro conservador em Santa Catarina ao lado de Jair Bolsonaro.

Em 26 de junho de 2024, Lula já havia cobrado que Milei pedisse desculpas ao Brasil e a ele pessoalmente por ter falado "muita bobagem". O presidente brasileiro afirmou que não conversava com Milei porque entendia que o argentino deveria primeiro pedir desculpas ao Brasil. "Não é um presidente da República que vai criar uma cizânia entre o Brasil e a Argentina", declarou Lula na ocasião.

Ainda em julho de 2024, Lula voltou a cobrar um pedido de desculpas de Milei e expressou a expectativa de que o argentino tuvesse "respeito pelo Brasil". O presidente brasileiro afirmou que a relação seria complicada se não houvesse esse reconhecimento das ofensas.

Antes mesmo da posse de Milei, integrantes do governo brasileiro já cobravam reparações. Em 20 de novembro de 2023, um dia após a vitória de Milei no segundo turno das eleições argentinas, o então ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Paulo Pimenta, disse que o argentino havia ofendido Lula de forma "gratuita" e que ele precisaria se desculpar para que houvesse uma relação adequada entre os dois mandatários.

Perspectivas futuras

A redução do nível diplomático Brasil Argentina marca um ponto de inflexão nas relações entre os dois países. Embora o governo brasileiro tenha evitado medidas ainda mais drásticas, como a retirada completa de representantes diplomáticos, a decisão sinaliza que há limites para a tolerância com os ataques contínuos. O retorno à normalidade das relações diplomáticas Brasil Argentina dependerá de mudanças significativas nas atitudes do governo Milei em relação às autoridades brasileiras.

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