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Entenda por que alertas da Defesa Civil chegam a uns bairros e não a outros

Descubra os motivos técnicos pelos quais alguns moradores recebem alertas da Defesa Civil e outros não, mesmo na mesma cidade. Conheça como funciona o Cell Broa...

Entenda por que alertas da Defesa Civil chegam a uns bairros e não a outros
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/06/20/por-que-o-alerta-extremo-da-defesa-civil-chegou-a-alguns-bairros-e-a-outros-nao.ghtml

Por que os alertas da Defesa Civil não chegam a todos igualmente?

O incidente ocorrido na madrugada de sábado (20) com o disparo indevido de um alerta extremo nos celulares de diversos brasileiros gerou uma dúvida entre os moradores: por que alguns receberam a mensagem enquanto outros, em localidades próximas ou até no mesmo município, não a receberam? A resposta está na tecnologia utilizada para transmitir alertas da Defesa Civil e em como o sistema define as áreas de cobertura para o envio de mensagens emergenciais.

Como funciona o sistema de alertas da Defesa Civil

O sistema utilizado para disparar alertas da Defesa Civil baseia-se na tecnologia Cell Broadcast, que permite enviar mensagens de emergência para celulares conectados à rede móvel dentro de uma região delimitada. No entanto, contrariamente ao que muitos acreditam, o envio não se fundamenta no endereço exato ou na localização de GPS de cada aparelho, semelhante aos aplicativos de mapa.

Conforme explicado por Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, os técnicos da Defesa Civil dispõem da capacidade de desenhar áreas no mapa para determinar quem receberá a mensagem. Também é possível selecionar um município inteiro através de uma lista pré-configurada no sistema. Após essa definição, o alerta é distribuído pelas antenas de telefonia celular que prestam serviço àquela região específica.

A influência da antena na entrega do alerta

O fator crucial para o recebimento da mensagem é a localização da antena de telefonia celular, tecnicamente conhecida como ERB (Estação Rádio Base), e não a localização precisa do aparelho do usuário. Isso significa que o celular recebe o alerta porque está conectado a uma antena que foi incorporada no disparo.

Por esse motivo, uma pessoa posicionada próxima à divisa entre dois municípios pode receber uma mensagem destinada à cidade vizinha, caso o seu celular esteja sendo atendido por uma antena localizada naquela área. O fenômeno inverso também pode ocorrer, embora seja menos frequente: um indivíduo localizado dentro de uma área que, teoricamente, deveria receber o alerta pode não o receber se estiver conectado a uma antena que não foi incluída no recorte do disparo.

Diferenças entre bairros da mesma cidade

Essa característica técnica ajuda a esclarecer por que moradores de diferentes bairros de uma mesma cidade podem ter vivenciado experiências distintas. Se a área selecionada no mapa não abranger a totalidade do município, alguns bairros podem ficar excluídos do recorte definido para o disparo. As antenas de celular não seguem necessariamente a divisão administrativa entre bairros e municípios, portanto a cobertura pode ultrapassar ou ficar aquém das fronteiras administrativas.

Em regiões metropolitanas, a mesma lógica se aplica para cidades vizinhas: uma cidade pode estar dentro da área acionada enquanto outra, mesmo estando próxima, pode permanecer fora. A cobertura das antenas é determinada por critérios técnicos de infraestrutura de telecomunicações, não por demarcações administrativas ou geográficas tradicionais.

Fatores que podem impedir o recebimento do alerta

Além da área selecionada e da antena à qual o celular está conectado, diversos outros fatores podem interferir no recebimento da mensagem de alerta. Celulares sem sinal no instante do disparo, em modo avião ou conectados exclusivamente ao Wi-Fi podem não receber o alerta. Aparelhos muito antigos, modelos importados que não possuem homologação da Anatel ou telefones incompatíveis com a tecnologia empregada pelo sistema também podem não receber a mensagem.

Existe também a possibilidade de o próprio usuário ter desativado alertas de emergência nas configurações do seu aparelho. Em certos casos, celulares sem suporte a VoLTE (tecnologia utilizada em redes 4G e 5G para chamadas de voz) ou conectados a antenas que não dispõem desse recurso podem deixar de receber a mensagem caso estejam em uma ligação prolongada no momento do disparo.

Independência em relação à internet e aplicativos

É importante destacar que o sistema não depende de internet, aplicativo específico ou cadastro prévio do usuário. O Defesa Civil Alerta foi desenvolvido para funcionar pela rede móvel tradicional, sem exigir que o usuário baixe um aplicativo ou se registre em qualquer base de dados. Essa característica torna o sistema mais abrangente e acessível, já que funciona independentemente de conexão com a internet.

O incidente da madrugada e a investigação

O alerta disparado entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20) assustou moradores de diversas cidades porque foi exibido em volume alto, funcionando como uma sirene, inclusive em celulares que estavam no modo silencioso. A mensagem continha a palavra "misantropia", que significa aversão, desconfiança ou rejeição à humanidade, e não estava relacionada a qualquer situação real de risco ou emergência pública.

A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi desativada uma hora e trinta minutos após sofrer uma invasão. Segundo o órgão, o disparo foi realizado remotamente por indivíduo externo ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, tratando-se provavelmente de um ataque hacker. A Polícia Federal foi acionada para investigar o incidente.

Possibilidades de auditoria do sistema

O sistema permite auditoria posterior sobre quais antenas receberam a mensagem, em qual data e horário, e distribuíram o alerta para os celulares conectados a elas naquele período. No entanto, existe uma limitação importante: não há um recibo individual de entrega em cada aparelho. Portanto, é possível identificar quais antenas foram acionadas e quais regiões foram alcançadas tecnicamente, mas não necessariamente confirmar, aparelho por aparelho, quem de fato visualizou ou recebeu o aviso.

Essa diferença é fundamental para compreender o caso da madrugada. A investigação poderá apontar quais áreas ou antenas foram utilizadas no disparo indevido, mas a experiência de cada morador pode variar conforme a rede móvel utilizada, o modelo do aparelho, as configurações personalizadas do telefone e a antena à qual o celular estava conectado no momento específico do disparo.

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