Execução por fuzilamento: EUA aprovam evento público em 90 anos
Estados Unidos autorizará execução pública de Nidal Hasan por fuzilamento em dezembro, primeira em 90 anos. Secretário de Defesa confirma acesso público ao even...

Execução por fuzilamento autorizada com acesso público
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou nesta quinta-feira (8) que a execução por fuzilamento de Nidal Hasan será aberta ao público, marcando um momento histórico no sistema penal militar americano. Hasan, condenado pelo massacre de 13 pessoas na base militar de Fort Hood no Texas em 2009, terá sua sentença cumprida em 3 de dezembro através deste método de execução.
A autorização para a execução por fuzilamento representa uma decisão significativa das autoridades americanas. Segundo Hegseth, a transparência do evento visa demonstrar que crimes de magnitude tão grave possuem consequências severas nos Estados Unidos. O secretário concedeu entrevista ao canal Real America's Voice reafirmando o compromisso do exército em permitir que o público acompanhe o procedimento.
Detalhes sobre a transmissão pública
Embora confirmada a abertura ao público, ainda não foram definidos os formatos específicos de visualização. As autoridades militares não esclareceram se haverá espectadores presencialmente no local, se a execução será transmitida pela internet, televisão ou através de uma combinação desses canais. Essa indefinição gera debates entre especialistas em direito penal e defensores dos direitos humanos.
Quando questionado sobre possíveis últimas palavras de Hasan ou comunicações com o governo Trump, Hegseth demonstrou pouca paciência com a questão, respondendo de forma direta: "Não me importa. Vamos vê-lo em 3 de dezembro." O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, havia confirmado previamente que o presidente Donald Trump autorizou oficialmente a execução.
Contexto histórico da execução por fuzilamento
Esta será a primeira execução pública nos Estados Unidos em praticamente um século. A última execução de acesso público ocorreu em 1936 no Kentucky, quando Rainey Bethea, homem negro condenado por violência sexual, foi enforcado diante de multidão numerosa. O evento de 1936 marcou o encerramento da era de execuções públicas no país.
Nidal Hasan representará também um marco específico no sistema militar americano. Será o primeiro fuzilamento militar desde 1945, quando o soldado Eddie Slovik foi executado na França por deserção durante a Segunda Guerra Mundial, conforme registros da emissora NPR. A última execução de um militar americano ocorreu em 1961, quando John A. Bennett foi enforcado no Kansas após condenação por estupro e tentativa de assassinato de menina de 11 anos.
A raridade do método de fuzilamento
O fuzilamento permanece como método pouco utilizado nas práticas de pena capital americana. De acordo com dados do Centro de Informações sobre a Pena de Morte, apenas cinco estados autorizam legalmente esta forma de execução: Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah. A maioria dos estados americanos emprega outros métodos como injeção letal, cadeira elétrica ou câmara de gás.
A Carolina do Sul realizou sua primeira execução por fuzilamento em 2025, representando a primeira utilização deste método em 15 anos nos Estados Unidos. Esse dado demonstra como a prática ressurgiu recentemente após décadas de abandono relativo. O evento de dezembro envolvendo Hasan continuará essa tendência de retorno ao fuzilamento como forma de execução.
O massacre de Fort Hood de 2009
Nidal Hasan cometeu um ataque à tiros na base militar de Fort Hood em 2009, resultando na morte de 13 pessoas. O incidente representou um dos piores ataques na história das bases militares americanas, gerando debate nacional sobre segurança militar e fatores que levaram ao crime. A condenação de Hasan veio após processo judicial extenso que culminou em sentença de morte.
A execução de Hasan por fuzilamento, quando realizada, encerrará capítulo significativo da história criminal americana. O evento de dezembro reacenderá discussões sobre pena de morte, métodos de execução e direitos dos condenados, especialmente considerando seu caráter histórico como primeira execução pública em quase um século no território americano.