Haddad critica ataque de Tarcísio a candidatas
Haddad classificou críticas de Tarcísio a Marina Silva e Simone Tebet como agressão. Saiba detalhes do embate entre candidatos ao Senado em São Paulo.

Haddad desaprova fala de Tarcísio contra candidatas
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, repudiou nesta sexta-feira as críticas de Tarcísio de Freitas dirigidas às pré-candidatas Marina Silva e Simone Tebet. Haddad caracterizou as críticas de Tarcísio como uma agressão injustificada contra duas mulheres que possuem trajetórias reconhecidas no serviço público. A manifestação ocorreu durante coletiva com jornalistas em São Paulo, momentos antes de o petista integrar o podcast "Derrubando Muros".
O governador republicano havia questionado a candidatura das duas mulheres para o Senado paulista, argumentando que Marina Silva e Simone Tebet não iniciaram suas carreiras políticas em São Paulo. Segundo Tarcísio, ambas teriam "levado cartão vermelho" nos estados onde construíram suas trajetórias anteriores.
Posicionamento de Haddad sobre o debate político
Haddad expressou perplexidade com o tom das críticas feitas pelo adversário. O candidato petista enfatizou que discordâncias políticas devem permanecer no campo ideológico, sem descer para ataques pessoais. "Acho que todo mundo que ouviu ficou um pouco perplexo com uma agressão gratuita a duas mulheres, ex-senadoras, que têm serviços prestados. Não precisa concordar com pauta ambiental, da educação, as duas grandes bandeiras da Marina e da Simone, mas tem que respeitar e fazer o debate de ideias", declarou o pré-candidato.
A crítica de Haddad às falas de Tarcísio reflete a polarização presente na disputa pelo Senado Federal em São Paulo. As observações do governador foram realizadas durante um evento político ao lado de Guilherme Derrite, deputado federal pelo PP e também candidato ao cargo de senador.
Contexto do confronto: críticas de Tarcísio
O governador Tarcísio de Freitas, nascido no Rio de Janeiro e torcedor do Flamengo, havia questionado a legitimidade da candidatura das duas mulheres em São Paulo dois dias antes. Ele argumentava que Marina Silva e Simone Tebet não possuíam raízes políticas no estado e sugeria que sua experiência anterior não havia sido bem-sucedida.
Marina Silva, nascida no Acre e deputada federal por São Paulo desde 2022, e Simone Tebet, originária de Mato Grosso do Sul e estreante em disputas eleitorais no estado, apresentam resultados superiores aos candidatos apoiados por Tarcísio conforme demonstram as pesquisas de intenção de voto para o Senado.
Respostas das pré-candidatas aos questionamentos
Após os comentários do governador, ambas as pré-candidatas se pronunciaram publicamente. Marina Silva destacou que São Paulo "acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo" e recordou que recebeu atendimento no Hospital das Clínicas quando enfrentou dificuldades de saúde durante sua juventude, demonstrando sua conexão com a cidade.
Simone Tebet, por sua vez, argumentou que reside e paga impostos em São Paulo há uma década, identificando-se como "cortiniana, não flamenguista", uma referência implícita à filiação do governador ao clube carioca e sua ausência de ligações prévias com o estado.
Marco legal sobre elegibilidade no Brasil
Conforme a legislação brasileira, não existe exigência de que candidatos tenham construído suas carreiras políticas no estado onde pretendem disputar eleições. A Constituição Federal e a Lei Eleitoral estabelecem apenas que todo postulante a cargo eletivo possua domicílio eleitoral na circunscrição onde deseja concorrer, com antecedência mínima de seis meses antes do pleito.
As condições de elegibilidade exigidas pela Constituição Federal incluem: nacionalidade brasileira; pleno exercício dos direitos políticos; alistamento eleitoral; domicílio eleitoral adequado; filiação partidária dentro dos prazos legais; e idade mínima conforme o cargo disputado.
Paradoxo da posição de Tarcísio
O próprio Tarcísio de Freitas exemplifica o cenário que critica. Nascido no Rio de Janeiro e residente em Brasília desde a adolescência, o governador transferiu seu domicílio eleitoral para São José dos Campos em 2022, possibilitando sua candidatura ao governo paulista. Ele foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer ao cargo, sem trajetória política prévia no estado.
Diversos casos similares ocorrem em São Paulo entre aliados políticos do próprio Tarcísio. Eduardo Bolsonaro, deputado federal e um dos parlamentares mais votados do estado em duas eleições consecutivas, originou-se de carreira política iniciada no Rio de Janeiro, apesar de seu pai, Jair Bolsonaro, ter nascido no interior paulista.
Exemplos históricos de políticos de outras origens
A história política de São Paulo registra múltiplos exemplos de candidatos originários de outras regiões que construíram carreiras bemsucedidas no estado. Luiza Erundina, nascida na Paraíba, tornou-se prefeita de São Paulo em 1989 pelo PT e posteriormente foi eleita deputada federal sucessivas vezes. Celso Pitta mudou-se do Rio de Janeiro para a capital paulista em 1987 e posteriormente assumiu a prefeitura em 1996.
Tiririca, palhaço nascido no Ceará, figura entre os deputados federais mais votados do país em duas eleições seguidas. Fernando Henrique Cardoso, nascido no Rio de Janeiro mas criado em São Paulo, iniciou sua carreira acadêmica e política como professor universitário, tornando-se senador constituinte e posteriormente presidente da República.
A legislação brasileira permanece clara: a origem geográfica não constitui impedimento para candidaturas, desde que respeitados os critérios de domicílio eleitoral e elegibilidade estabelecidos nas normativas constitucionais e eleitorais vigentes.