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Nicarágua aprova reforma que barra oposição das eleições

Parlamento da Nicarágua aprova reforma constitucional que exclui a oposição das eleições, intensificando o controle político do presidente Daniel Ortega sobre o...

Nicarágua aprova reforma que barra oposição das eleições
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Aprovação da reforma constitucional na Nicarágua

Os deputados nicaraguenses aprovaram nesta terça-feira (1º) uma reforma constitucional que impede a participação da oposição nas eleições do país, conforme anunciado pelo presidente do Parlamento, Gustavo Porras. A reforma constitucional Nicarágua marca um novo passo no aprofundamento do controle político exercido pelo regime de Daniel Ortega, consolidando ainda mais seu domínio sobre as instituições democráticas.

De acordo com Porras, a medida foi elaborada com o objetivo explícito de impedir que membros da oposição considerados "vendidos" e "golpistas" - terminologia utilizada por Ortega para descrever seus adversários políticos apoiados pelos Estados Unidos - concorram em futuras eleições. A aprovação desta reforma representa um escalada significativa na perseguição política contra os opositores do governo.

Contexto político e anúncio anterior

A aprovação da reforma ocorre apenas algumas semanas após Ortega anunciar publicamente sua intenção de eliminar o atual modelo eleitoral da Nicarágua. Durante discurso em julho, o presidente declarou o fim das eleições no país e sinalizou seu compromisso em criar um "muro" institucional contra a oposição através de novas legislações.

Pouco tempo depois dessa declaração, o Congresso apresentou um plano de trabalho ambicioso para reformular completamente o processo eleitoral nicaraguense. Simultaneamente, o Parlamento manifestou sua disposição em estender o mandato presidencial de Ortega de seis para sete anos, consolidando ainda mais seu poder.

Mudanças no sistema eleitoral e mandatos presidenciais

As alterações nas regras eleitorais não representam um fenômeno isolado no governo Ortega. Em 2024, uma reforma anterior à Constituição já havia estendido o mandato presidencial de cinco para seis anos. Além disso, essa mesma reforma adiou para novembro de 2027 as eleições que originalmente deveriam ocorrer no final deste ano, demonstrando um padrão sistemático de extensão de mandatos e adiamento de consultas eleitorais.

Histórico de repressão democrática

O regime de Ortega mantém um extenso histórico de ações consideradas antidemocráticas pela comunidade internacional. O governo foi acusado reiteradamente de enfraquecer instituições democráticas através de repressão de manifestações públicas, prisão de líderes opositores e pressão que forçou centenas de milhares de nicaraguenses ao exílio.

As eleições realizadas em 2021 foram amplamente questionadas pela oposição e por observadores internacionais independentes, que documentaram denúncias consistentes de fraude eleitoral e prisão arbitrária de candidatos. Essas eleições reforçaram as preocupações globais sobre a integridade do processo democrático na Nicarágua.

Controle familiar do governo

Daniel Ortega e sua esposa exercem controle praticamente total sobre todos os aspectos da administração estatal, incluindo as Forças Armadas, o sistema judiciário e os órgãos legislativos. Essa concentração de poder nas mãos de uma família representa uma característica definitória do que analistas internacionais descrevem como uma ditadura.

Reações internacionais à reforma constitucional Nicarágua

A decisão de Ortega de eliminar as eleições provocou reações negativas generalizadas entre exilados nicaraguenses e na comunidade internacional. Em julho, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, emitiu um comunicado solicitando que o governo restabelecesse o Estado de Direito e garantisse eleições livres e justas.

Os Estados Unidos emitiram avisos públicos indicando que não permanecerão inativos diante do que caracterizam como uma "ditadura" em consolidação. A União Europeia, por sua vez, solicitou formalmente que o governo da Nicarágua convocasse eleições "em conformidade com as normas internacionais de democracia e direitos humanos".

Essas manifestações diplomáticas refletem uma preocupação generalizada sobre a trajetória política da Nicarágua e o desmantelamento sistemático das instituições democráticas sob o governo Ortega.

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