Os Amantes retornam com novo álbum após dois anos de pausa
O trio Os Amantes lança 'Amar, amor!' com nove músicas autorais que mesclam tecnobrega paraense com influências de indie rock e pop, cinco anos após estreia.

Retorno de Os Amantes com novo trabalho discográfico
O trio Os Amantes apresenta seu segundo álbum de estúdio, intitulado "Amar, amor!", marcando o encerramento de um período de pausa de aproximadamente dois anos e meio. A formação, que reúne a vocalista paraense Jaloo aos lados do duo Strobo (Arthur Kunz e Léo Chermont), consolida sua trajetória através de uma produção que mantém as raízes sonoras do estado do Pará como fundamento estético.
Intervalos na trajetória do grupo
A dinâmica de espaçamento entre lançamentos caracteriza a história do Os Amantes. O álbum de estreia, também denominado "Os Amantes", foi anunciado em 2019 com a divulgação do single "Ninguém", mas seu lançamento oficial ocorreu apenas em 2021. Agora, decorridos cinco anos desde aquele primeiro trabalho, o trio retorna ao estúdio com "Amar, amor!", reafirmando um padrão de produção que privilegia a qualidade em detrimento da velocidade de entrega.
Estrutura e composição do novo álbum
"Amar, amor!" apresenta dez faixas musicais, sendo nove delas composições originais do grupo e uma regravação. O repertório foi desenvolvido quase integralmente pelos integrantes de Os Amantes, demonstrando o comprometimento com a autoria e a identidade artística coletiva. A seleção de músicas reflete diferentes perspectivas criativas dentro do trio, com composições individuais e colaborativas que expandem os horizontes temáticos e melódicos.
Fusão entre brega paraense e influências contemporâneas
O cerne da proposta de Os Amantes reside na intersecção entre a musicalidade tradicional do Pará, particularmente o tecnobrega e o brega nortista, com sonoridades modernas do indie rock e pop. Esta abordagem híbrida funciona como elemento identitário do grupo, diferenciando-o no panorama musical brasileiro. O álbum "Amar, amor!" amplifica esta estratégia, integrando referências estéticas dos anos 2000, evidentes em guitarras potentes que caracterizam faixas como "Adeus", composição de Arthur Kunz.
Destaque para a produção musical
A escuta sequencial de "Amar, amor!" revela uma força significativa na dimensão produtiva do trabalho. Canções como "Acho que enlouqueci" (Jaloo), "Além de um sonho bom" (Léo Chermont e Arthur Kunz), "Seja livre" (composição coletiva) e "Notícia" (Léo Chermont e Jaloo) evidenciam o protagonismo dos arranjos e da produção de estúdio, que ganham destaque em relação às composições autorais puras. Esta prevalência da engenharia sonora sobre o cancioneiro demonstra uma escolha artística deliberada, priorizando a experimentação sonora e a textura musical.
Influências diversas no repertório
Além das citadas referências ao indie rock dos anos 2000, o álbum incorpora elementos estilísticos diversificados, incluindo influências de pop japonês. Esta abertura para múltiplas referências culturais situa Os Amantes em uma posição criativa eclética, capaz de absorver e reprocessar influências variadas mantendo a coesão sonora em torno da música paraense como eixo central.
Regravação e estratégia de lançamento
Em 29 de julho, Os Amantes anunciou o álbum "Amar, amor!" através do single "A primeira vez", única faixa do repertório que não é composição original. A música é autoria de Tony Brasil e alcançou repercussão no circuito nortista a partir de 2000, quando foi interpretada pela cantora paraense Ana de Oliveira. A escolha desta regravação como porta de entrada para o novo trabalho sinaliza uma estratégia de conexão com o histórico musical regional, estabelecendo diálogo entre gerações de artistas do brega paraense.
Significado artístico e contexto regional
O lançamento de "Amar, amor!" representa consolidação da proposta de Os Amantes enquanto agente de renovação da música paraense. O grupo funciona como ponte entre tradição e contemporaneidade, respeitando as raízes do tecnobrega e brega nortista ao tempo que as recontextualiza através de linguagens sonoras atuais. Esta postura criativa insere-se em movimento mais amplo de ressignificação da música do Norte brasileiro no cenário nacional.