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Sociedade

Polícia Civil identifica terceira vítima de desvio de contêineres

Polícia Civil de Juiz de Fora investiga quadrilha responsável pelo desvio de contêineres. Terceira empresa identificada; prejuízo chega a R$ 1 milhão.

Mais uma empresa se torna vítima do esquema criminoso

A 2ª Delegacia de Polícia Civil de Juiz de Fora identificou uma terceira vítima de desvio de contêineres, revelando a magnitude de um esquema criminoso que envolve uma quadrilha especializada em estelionato e revenda de bens comerciais. Uma empresa paulista enviou representantes até a cidade para reportar a subtração de seus contêineres, informação que intensificou as investigações sobre a rede de criminosos.

O desvio de contêineres ocorreu de maneira sistemática, aproveitando-se de brechas operacionais e documentação fraudulenta. Conforme os registros da Polícia Civil, a identificação precisa das mercadorias através de sua numeração permitiu localizar mais 22 unidades na sexta-feira, dia 20, em estabelecimentos da região.

Amplitude do golpe e prejuízos financeiros

As investigações apontam que o desvio de contêineres atingiu diferentes estados brasileiros. Até o momento, foram identificadas como prejudicadas uma empresa de Belo Horizonte e duas de São Paulo, todas atuando como intermediárias entre grandes corporações exportadoras e armadores para viabilizar transporte de mercadorias destinadas ao mercado externo.

O prejuízo estimado pela fraude chega a R$ 1 milhão, considerando que cada contêiner novo é avaliado em aproximadamente US$ 5 mil. A transportadora responsável informou que 56 contêineres foram desviados das empresas proprietárias, número que reforça a dimensão da operação criminosa.

Metodologia do esquema e clonagem de empresa

Segundo a investigação, a quadrilha utilizava técnicas sofisticadas para executar o golpe de desvio de contêineres. Os integrantes da organização criminosa clonavam uma empresa legítima que trabalha com exportações, utilizando inclusive seu cadastro oficial para emprestar credibilidade às transações fraudulentas.

O rastreamento realizado pela polícia revelou que 16 dos contêineres localizados em Minas Gerais estavam bloqueados nos sistemas de segurança. Apesar dessa restrição, as mercadorias foram retiradas do cais de forma ilegal, indicando possível envolvimento de funcionários nas operações portuárias.

Investigações em múltiplas jurisdições

A Polícia Civil de Juiz de Fora continua investigando a participação de uma empresa sediada em Campos Elísios, no município de Duque de Caxias, para onde os contêineres foram entregues. As evidências apontam que os suposto empresários localizados naquele endereço tinham conhecimento da operação ilícita e contribuíram ativamente para a concretização da fraude.

Quando o procedimento apurado em Juiz de Fora for concluído, será encaminhado para as delegacias de Belo Horizonte e São Paulo, onde o esquema de estelionato segue sob investigação paralela. Os órgãos federais e estaduais acompanham o desdobramento do caso.

Receptação culposa e responsabilidades fiscais

Em Juiz de Fora, o caso é classificado como receptação culposa, situação em que as vítimas adquiriram os produtos, mas deveria ter existido desconfiança quanto à origem ilícita da mercadoria. Os empresários localizados em Juiz de Fora e em Matias Barbosa não apresentaram notas fiscais pela aquisição dos contêineres, que foram vendidos por R$ 8 mil cada.

Além de responderem por receptação culposa, os empresários terão de prestar contas aos órgãos de fiscalização estadual e federal. A Polícia Civil encaminhará ofício às receitas Estadual e Federal para informá-las sobre a investigação e as operações envolvidas.

Situação atual dos contêineres e perspectivas

Os 43 contêineres localizados nos estabelecimentos permanecem no local onde foram encontrados, sendo mantidos sob regime de depositário fiel até sua devolução aos legítimos proprietários. Essa medida garante a preservação das mercadorias e facilita o processo de reintegração das mesmas aos seus donos originais.

A investigação segue aberta, não descartando-se a possibilidade de que mais contêineres desviados e revendidos estejam distribuídos pela região. A Polícia Civil continua recebendo denúncias e trabalhando para desarticular completamente o esquema criminoso responsável pela apropriação e venda irregular de contêineres.

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