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Economia

Propostas econômicas dos candidatos de 2026 analisadas

Confira as propostas econômicas dos cinco principais candidatos à Presidência de 2026 para temas como dívida pública, juros, endividamento e comércio exterior.

Propostas econômicas dos candidatos de 2026 analisadas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Os candidatos e suas estratégias econômicas para o Brasil

A menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, as propostas econômicas dos candidatos ganham destaque como diferencial na campanha. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) apresentam caminhos distintos para enfrentar os principais desafios da economia brasileira, com foco nas propostas econômicas que afetarão diretamente o consumidor, as empresas e as finanças públicas.

As propostas econômicas apresentadas pelos candidatos cobrem temáticas críticas para o desenvolvimento do país, incluindo o equilíbrio orçamentário, a taxa de juros, o endividamento crescente das famílias, o ritmo de expansão econômica e a eficiência produtiva. Cada candidato desarrolla sua própria visão sobre como gerenciar essas áreas estratégicas, refletindo filosofias políticas e econômicas distintas.

Controle das apostas online e proteção do orçamento familiar

As plataformas de apostas online tornaram-se um tema central no debate econômico após o governo Lula anunciar medidas para proibir as apostas de quota fixa em 2025. Segundo dados do Comsefaz, essas atividades extraíram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias naquele ano, enquanto geraram R$ 15,3 bilhões em impostos aos cofres públicos.

Augusto Cury aborda o tema indiretamente através de propostas sobre dependência digital e cidadania digital nas escolas. Flávio Bolsonaro concentra-se em impedir que recursos de programas sociais sejam utilizados em apostas, associando orientação financeira pela Caixa a campanhas de conscientização. O governo Lula defende mecanismos de controle do endividamento relacionado aos jogos, com ampliação do atendimento em saúde mental e proteção de menores.

Ronaldo Caiado propõe medidas mais rigorosas, incluindo restrições à publicidade de apostas em mídia tradicional e redes sociais, teto para gastos dos apostadores e tratamento para jogo compulsivo. Romeu Zema e Renan Santos não mencionam diretamente o tema em seus planos governamentais.

Dívida pública e equilíbrio das contas: prioridade urgente

O desequilíbrio das contas públicas emerge como questão crucial que determina a trajetória fiscal e pressiona os juros da economia. Em agosto de 2026, o setor público registrou déficit primário de R$ 10 bilhões, acumulando R$ 88,9 bilhões nos oito primeiros meses do ano. A dívida pública atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto, equivalente a R$ 11,05 trilhões, configurando o maior nível desde março de 2021.

Quando o governo gasta mais do que arrecada, incorre em déficit primário que exige buscar outras fontes de financiamento. Essa situação aumenta a necessidade de captar recursos através de empréstimos, elevando o custo de financiamento e ampliando o endividamento estatal. Considerando os juros da dívida, o déficit acumulado chegou a R$ 1,26 trilhão nos doze meses até agosto, representando 9,48% do PIB, com juros somando R$ 1,18 trilhão.

As propostas econômicas diferem significativamente entre os candidatos. Augusto Cury propõe reduzir o déficit até próximo de zero, diminuindo gradualmente a relação dívida-PIB, com reformas administrativas e uso de inteligência artificial para combater fraudes. Flávio Bolsonaro defende mudanças nas regras fiscais para estabilizar e reduzir a dívida, limitando empréstimos subsidiados e reduzindo despesas discricionárias.

Lula sustenta manter o Novo Arcabouço Fiscal estabelecido em 2023, preservando recursos para saúde, educação e programas sociais, enquanto melhora a eficiência e aumenta tributação dos mais ricos. Romeu Zema propõe redução ampla das despesas estatais com reforma previdenciária, revisão de emendas parlamentares, privatização de empresas públicas e venda de imóveis federais.

Endividamento recorde das famílias brasileiras

O endividamento das famílias atinge níveis históricos, com 82% dos consumidores portando alguma forma de dívida em julho de 2026, segundo a Confederação Nacional do Comércio. O comprometimento da renda com pagamento de dívidas atingiu patamares recordes, enquanto a taxa de inadimplência permanece elevada.

Uma vez que o consumo representa aproximadamente 63% do PIB, o custo elevado do crédito prejudica diretamente o orçamento doméstico e limita o crescimento econômico. As propostas econômicas dos candidatos refletem essa urgência. Augusto Cury propõe criar o Banco do Empreendedor com microcrédito de R$ 2 mil a R$ 20 mil e juros entre 5% e 6% anuais. Flávio Bolsonaro oferece o programa Ganha-Ganha com renegociação de dívidas para mulheres e orientação financeira.

Lula enfatiza programas como Desenrola Brasil e Novo Desenrola, com renegociação de dívidas e regras de concessão responsável de crédito. Ronaldo Caiado associa custos elevados de crédito às contas públicas desequilibradas e propõe Crédito Social Acompanhado. Romeu Zema defende facilitar renegociação através do Open Finance e modernizar garantias para reduzir juros.

Comércio exterior, tarifas e minerais estratégicos

O comércio internacional ganhou relevância após os Estados Unidos aplicarem sobretaxas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros em julho de 2026, chegando a 37,5% acumuladas em alguns casos. As terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias modernas, tornaram-se objeto de negociações entre os dois países.

O Brasil possui a segunda maior reserva global de terras raras, enquanto a China domina 70% da produção e etapas críticas de refino e fabricação. As propostas econômicas dos candidatos variam em abordagem comercial. Augusto Cury propõe reduzir burocracia de exportação e devolver impostos a exportadores. Flávio Bolsonaro busca relações equilibradas com EUA, Argentina, Israel, China e União Europeia.

Lula apresenta o Plano Brasil Soberano para reduzir impactos das barreiras e apoiar empresas afetadas. Renan Santos propõe Zonas Econômicas Especiais com foco em produtos de alto valor agregado. Ronaldo Caiado defende processar minerais estratégicos no território antes da exportação, enquanto Romeu Zema sugere saída dos BRICS e transformação do Mercosul em zona de livre comércio.

Inflação e juros como eixo da política macroeconômica

A taxa Selic encontra-se em 13,75% ao ano após cinco cortes realizados em 2026, permanecendo elevada e mantendo o crédito caro para famílias e empresas. A inflação oficial, medida pelo IPCA, acumulou 4,22% em doze meses até agosto, permanecendo acima da meta de 3%.

As propostas econômicas para juros e inflação refletem diagnósticos distintos das causas desses problemas. Augusto Cury defende equilíbrio das contas públicas e oferta de microcrédito com juros de 5% a 6% anuais. Flávio Bolsonaro relaciona inflação e juros altos ao aumento de gastos e dívida governamental, propondo mudança nas regras fiscais e redução de impostos sobre combustíveis.

Lula sustenta que o Novo Arcabouço Fiscal, associado a medidas de produtividade industrial, limpeza energética e manutenção de estoques, criará condições para redução gradual dos juros. Renan Santos defende ajuste fiscal amplo, enquanto Ronaldo Caiado propõe plano de longo prazo com crescimento dos gastos inferior ao da economia. Romeu Zema enfatiza controle da dívida pública e redução gradual do IOF para criar espaço para queda sustentada dos juros.

Essas propostas econômicas dos principais candidatos demonstram visões distintas sobre os fundamentos macroeconômicos do Brasil, refletindo diferentes diagnósticos sobre as causas dos problemas atuais e caminhos divergentes para a retomada sustentável do crescimento econômico nos próximos anos.

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