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TSE registra alterações em locais de votação

Sistema do TSE contabiliza mudanças em locais de votação mesmo quando endereços permanecem iguais. Tribunais Regionais corrigem inconsistências antes do segundo...

TSE registra alterações em locais de votação
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Inconsistências no sistema do TSE geram confusão sobre locais de votação

O sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem apresentado discrepâncias significativas ao contabilizar modificações em locais de votação para o segundo turno das eleições de 2026. A plataforma oficial registra como alterações de locais de votação situações nas quais os endereços das seções permanecem idênticos entre o primeiro e segundo turno, gerando inconsistências nos números divulgados ao público.

Na tarde do domingo (18), a página do TSE indicava 2.033 seções eleitorais com mudanças de local. Porém, investigações revelaram que esse número inclui registros duplicados e situações onde, apesar de alterações cadastrais, o endereço físico permanecia o mesmo. Na sexta-feira anterior (16), o tribunal havia informado cifra ainda maior: 4,3 mil seções eleitorais alteradas, demonstrando a volatilidade dos dados apresentados.

Tribunais Regionais identificam divergências e fazem correções

Os Tribunais Regionais Eleitorais detectaram as inconsistências e iniciaram processo de divulgação das informações precisas através de seus respectivos sites e perfis em redes sociais, buscando esclarecer quais locais de votação realmente sofreram alterações.

Em Pernambuco, enquanto a página do TSE apontava mudanças em 24 municípios, o TRE-PE informou que apenas seis seções eleitorais tiveram efetiva alteração de endereço, localizadas nos municípios de Floresta e Buíque. No município de Escada, especificamente, o TSE indicava transferência de seções da Escola Municipal Barão de Suassuna para o Grupo Municipal Barão de Suassuna, quando, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), existe apenas uma instituição com essa denominação no local.

Situação análoga ocorreu em Alagoas. No município de Delmiro Gouveia, o sistema do TSE registrava mudança da Escola Municipal José Correia dos Santos para o Grupo Escolar José Correia dos Santos. Contudo, o TRE-AL comunicou que nenhuma seção eleitoral modificou seu endereço entre os dois turnos no estado.

Variação dos números registrados ao longo do dia

Ao longo do domingo (18), os números de locais de votação com alterações sofreram redução progressiva, indicando processo contínuo de atualização do sistema. Por volta das 19 horas, a página oficial registrava 1.396 seções modificadas. Duas horas depois, esse número havia reduzido drasticamente para apenas 99, embora algumas inconsistências permanecessem disponíveis na plataforma oficial do tribunal.

O TSE, quando procurado pela imprensa, confirmou que apuraria as causas das discrepâncias e informou que o sistema estava sendo atualizado. A assessoria do tribunal não apresentou explicação detalhada sobre os motivos que causaram as divergências iniciais nos registros.

Orientação para eleitores consultarem locais corretos

Diante das inconsistências identificadas, recomenda-se aos eleitores que consultem seus respectivos locais de votação através do aplicativo e-Título ou pelo Sistema de Autoatendimento Eleitoral antes de se dirigirem aos locais no dia da votação.

Mudanças nos locais de votação são frequentes mas geram desconfiança

A advogada eleitoralista e especialista em Direito Emma Roberta Bueno esclarece que as modificações em locais de votação entre o primeiro e segundo turno constituem prática comum no processo eleitoral. Tais alterações podem ser motivadas por questões de acessibilidade, falhas no fornecimento de energia elétrica ou danos estruturais causados por eventos climáticos como chuvas e ventanias intensas.

No entanto, Bueno ressalta que o aspecto preocupante não reside nas mudanças em si, mas nas inconsistências entre os números divulgados publicamente. "É importante que a gente diga de forma expressa, para não alimentar desinformação, que o endereço informado no e-título está correto. Mas essa confusão com os números gera ruído e desconfiança num momento em que a Justiça Eleitoral deveria ser a fonte mais segura de informação", afirmou a especialista.

Necessidade de consolidação rápida de informações

O advogado Fernando Naisser destaca como essencial que o levantamento consolidado de seções alteradas seja disponibilizado o mais rapidamente possível. "Não faz sentido que isso siga acontecendo durante a semana, porque aí tornaria praticamente impossível as pessoas serem informadas", salientou o jurista.

Força-tarefa dos Tribunais Regionais para esclarecer situação

Confrontados com as inconsistências apresentadas pelo TSE, os Tribunais Regionais Eleitorais desencadearam força-tarefa para elucidar quais locais sofreram genuínas alterações, através de publicações nos sites oficiais e canais de comunicação nas redes sociais.

No Paraná, enquanto a página do TSE indicava alterações em 61 locais de votação distribuídos por 48 municípios, o levantamento realizado pelo TRE-PR identificou modificações em apenas oito locais, situados em sete municípios diferentes.

Em São Paulo, a página oficial do TSE apontava mudanças em oito municípios, envolvendo 15 locais de votação. O TRE-SP informou oficialmente alterações apenas em duas zonas eleitorais: a 256ª, localizada no bairro de Tucuruvi, na capital paulista, e a 402ª, em Presidente Prudente.

No Rio de Janeiro, o TSE indicava modificações em dois locais de votação, um na capital fluminense e outro em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O TRE-RJ informou, porém, que apenas um local foi efetivamente modificado, situado no bairro de Brás de Pina, na Zona Norte da capital.

Responsabilidade descentralizada das zonas eleitorais

Conforme comunicado do TSE, as decisões sobre alterações nos locais de votação não são centralizadas no órgão superior. A responsabilidade recai sobre cada zona eleitoral, que possui conhecimento aprofundado da realidade municipal e avalia a infraestrutura disponível para acolher os eleitores.

Especialistas recomendam comunicação ativa com eleitores

Emma Roberta Bueno recomenda que a Justiça Eleitoral implemente estratégia de comunicação mais proativa junto aos eleitores afetados, em lugar de depender exclusivamente de consultas individuais realizadas nos sistemas eletrônicos.

"Os avisos poderiam ser enviados pelo próprio aplicativo ou por mensagens aos eleitores. Outra medida seria sinalizar, nos prédios utilizados no primeiro turno, os novos endereços das seções transferidas", sugeriu a advogada.

Fernando Naisser concorda que o desafio primordial consiste em assegurar que os eleitores sejam informados sobre eventuais mudanças com antecedência suficiente. "O principal ponto aqui é que a Justiça Eleitoral consiga informar em tempo as pessoas e não só presumir que as pessoas vão entrar no e-Título e ver", afirmou o especialista, enfatizando a necessidade de comunicação proativa e acessível para toda a população eleitoral.

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