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ANPD inicia fiscalização contra Discord por morte de adolescente

ANPD abre processo de fiscalização contra Discord investigando falhas na proteção de menores após morte de adolescente de 13 anos. Conheça os detalhes da ação r...

ANPD inicia fiscalização contra Discord por morte de adolescente
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Agência Nacional de Proteção de Dados inicia investigação contra a plataforma

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) iniciou nesta sexta-feira (7) um processo formal de fiscalização contra o Discord, visando apurar possíveis deficiências no sistema de proteção de menores da plataforma de comunicação. A ação foi motivada por um episódio trágico envolvendo uma adolescente de 13 anos e busca verificar o cumprimento das obrigações estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, normativa que entrou em vigor em março de 2026.

Pontos centrais da investigação conduzida pela ANPD

O processo administrativo conduzido pela ANPD concentra-se em diversos aspectos relacionados à segurança dentro da plataforma. Entre os principais pontos sob análise estão as possíveis falhas na implementação de medidas preventivas contra a exposição de menores a conteúdos que estimulem ou facilitem comportamentos de automutilação e suicídio.

A agência também investiga se o Discord dispõe de mecanismos suficientemente robustos para verificar a idade dos usuários cadastrados na plataforma, um requisito fundamental para proteger crianças e adolescentes. Adicionalmente, a ANPD apura se houve negligência na remoção de conteúdos que violem as normas de proteção de menores e na comunicação dos casos mais graves às autoridades competentes.

Demandas específicas à plataforma

Conforme comunicado pela ANPD, o Discord terá um prazo de cinco dias úteis para apresentar informações detalhadas sobre os mecanismos existentes na plataforma destinados a prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. Este prazo é considerado essencial para que a agência possa avaliar adequadamente a conformidade da empresa com as legislações aplicáveis.

Contexto do caso que motivou a ação regulatória

A tragédia que desencadeou esta investigação ocorreu no dia 22 de julho em Naviraí, Mato Grosso do Sul, quando uma menina de 13 anos perdeu a vida. Segundo informações da Polícia Civil e do Ministério da Justiça, a adolescente teria sido coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo realizada na plataforma Discord, que durou aproximadamente 45 minutos.

Este caso evidenciou vulnerabilidades significativas nas medidas de proteção oferecidas pela plataforma, levando múltiplos órgãos governamentais a iniciarem investigações paralelas. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos da Secretaria Nacional de Segurança Pública, estão conduzindo apurações complementares sobre o episódio.

Apreensões e descobertas durante operação policial

Durante a execução de mandados em operação direcionada contra seis integrantes do grupo investigado em diferentes estados, as autoridades descobriram materiais preocupantes. Foram localizados itens de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil, revelando a magnitude do problema de exploração ocorrendo dentro da plataforma.

Padrão de abuso identificado pela investigação

As investigações revelaram que o grupo responsável utilizava o Discord e o Telegram como ferramentas para atrair vítimas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e incentivar comportamentos violentos. Notavelmente, as vítimas identificadas no curso da investigação eram predominantemente meninas, indicando um padrão específico de exploração direcionado a usuários vulneráveis.

Consequências potenciais e penalidades aplicáveis

Caso a ANPD constate irregularidades no funcionamento da plataforma, a agência tem autoridade para determinar alterações nas práticas operacionais da empresa e aplicar sanções previstas na legislação do ECA Digital. As penalidades podem incluir multas de até R$ 50 milhões por infração constatada, representando um incentivo significativo para que a empresa adeque seus procedimentos às exigências legais.

Compromissos assumidos pelo Discord junto à AGU

Paralelamente à ação da ANPD, representantes do Discord participaram de uma reunião nesta sexta-feira com integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir medidas corretivas. A empresa se comprometeu a apresentar, até segunda-feira (10), um plano detalhado com ações para ampliar significativamente a proteção dentro da plataforma, com foco especial em mulheres, crianças, adolescentes e animais.

Durante a reunião, o Discord também assumiu obrigações relacionadas ao dever de cuidado, um conceito normativo que exige das plataformas digitais a adoção de medidas proativas para reduzir riscos e proteger adequadamente seus usuários. Conforme apurado pela GloboNews, integrantes da Advocacia-Geral da União avaliaram positivamente o resultado desse encontro inicial.

Importância da coordenação entre órgãos na proteção de menores

A atuação coordenada da ANPD, da Polícia Civil, do Ciberlab e da AGU demonstra o comprometimento das autoridades brasileiras em proteger crianças e adolescentes na internet. Esta abordagem multifatorial reconhece que a proteção de menores em ambientes digitais requer ação conjunta entre diferentes níveis do governo e órgãos especializados em segurança pública e proteção de dados.

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