Chilena declarada desaparecida na ditadura Pinochet encontrada viva
Bernarda Vera Contardo, desaparecida na ditadura chilena, foi encontrada viva na Argentina 50 anos depois. DNA confirmou sua identidade.

Mulher declarada desaparecida na era Pinochet é encontrada viva após 50 anos
Bernarda Vera Contardo, uma chilena que constava como desaparecida na ditadura chilena desde outubro de 1973, foi encontrada viva na Argentina após mais de cinco décadas. A descoberta surpreendente coloca em xeque parte do histórico de vítimas do regime de Augusto Pinochet e abre questionamentos sobre como tal erro pôde perdurar por tanto tempo nos registros oficiais do país.
A desaparecida na ditadura chilena foi localizada em meados de 2024 pela emissora Chilevisión em um balneário de Miramar, na província de Buenos Aires. Atualmente com 80 anos, Bernarda Vera não apenas sobreviveu ao período de repressão, mas construiu uma vida inteira longe do Chile, casou-se novamente, teve filhos, obteve nacionalidade sueca e residiu em diferentes países. A confirmação de sua identidade aconteceu através de relatório pericial de DNA ordenado pelo ministro extraordinário chileno para causas de direitos humanos, Álvaro Mesa Latorre.
A investigação que confirmou a verdade
O teste genético realizado entre as amostras de Bernarda Vera e os perfis disponíveis no Banco Genético de Familiares de Prisioneiros e Executados Políticos do Serviço Médico Legal do Chile resultou em uma probabilidade de identificação superior a 99,9999%. Os antecedentes científicos deixaram inconteste que a mulher localizada na Argentina era efetivamente a pessoa que constava como desaparecida na ditadura chilena há mais de 50 anos.
Segundo fontes do Poder Judiciário chileno, Bernarda Vera concordou em se submeter ao teste, que foi realizado por intermédio de um tribunal de Mar del Plata, na Argentina. O processo judicial foi iniciado em 2025 quando o Plano Nacional de Busca, uma iniciativa do governo do ex-presidente Gabriel Boric, identificou incongruências no caso e entrou em contato com a filha de Vera para investigar melhor as circunstâncias de seu desaparecimento.
O contexto da suposta detença na ditadura Pinochet
Em 1973, Bernarda Vera tinha 27 anos e trabalhava como professora em uma escola pública de Puerto Fuy, no Complexo Madeireiro e Florestal Panguipulli, na região de Los Ríos, no sul do Chile. Era uma militante política ativa filiada ao Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) e ao Movimento Camponês Revolucionário (MCR), organizações de esquerda que enfrentaram perseguição durante a ditadura de Augusto Pinochet.
Segundo o Relatório Rettig, publicado em 1991 pela Comissão da Verdade e Reconciliação, Bernarda Vera teria sido detida por militares no dia 10 de outubro de 1973, em Liquiñe, na pré-cordilheira dos Andes. O documento oficial indicava que ela havia sido executada junto com outras 15 pessoas na ponte de Villarrica sobre o rio Toltén, supostamente condenada à morte por sua participação no ataque à barreira de Neltume. Este relatório incluiu-a entre as 1.469 vítimas de desaparecimento forçado no Chile.
O documento da Comissão afirmava que agentes estatais