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Elza Soares: Voz Política do Século XXI em Novo Livro

Conheça 'Insurreição na garganta', obra que analisa a voz de Elza Soares como instrumento político de resistência e feminismo negro no século XXI.

Elza Soares: Voz Política do Século XXI em Novo Livro
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/15/voz-de-elza-soares-e-enfocada-como-afiado-instrumento-politico-do-seculo-xxi-no-livro-insurreicao-na-garganta.ghtml

A Voz de Elza Soares como Instrumento Político Contemporâneo

O livro 'Insurreição na garganta', escrito pela jornalista Lígia Moreli e publicado pelas Edições Sesc, coloca Elza Soares no centro de uma análise profunda sobre como a voz tornou-se arma de resistência no século XXI. A obra examina a trajetória artística e política da cantora carioca (1930-2022), dissecando como seu corpo e sua voz funcionaram como instrumentos de luta contra o racismo, a violência contra mulheres e outras pautas identitárias.

O Renascimento Artístico a Partir de 2015

A narrativa de 'Insurreição na garganta' concentra-se particularmente no álbum 'A mulher do fim do mundo', lançado em 2015, momento em que Elza Soares ressurgiu no topo da música brasileira com uma sonoridade impactante e letras revolucionárias. Este projeto marcou uma ruptura significativa em sua discografia, transformando a percepção pública da artista que, até então, era frequentemente estereotipada pela mídia como a sensualizada intérprete dos sambalanços dos anos 1960.

Produtor Guilherme Kastrup, com direção artística de Celso Sim e Romulo Fróes, apresentou ao mundo uma Elza renovada, altiva e politicamente consciente. A cantora, que havia se apresentado em 1953 no programa de Ary Barroso como 'a caloura do Planeta Fome', finalmente assumia plenamente o controle de sua própria narrativa.

Raízes Políticas em Trabalhos Anteriores

Embora o destaque do livro seja a fase posterior a 2015, a obra reconhece que a dimensão política de Elza Soares já existia em projetos anteriores. Discos como 'Somos todos iguais' (1985) e, principalmente, 'Do cóccix até o pescoço' (2002), já esboçavam os contornos revolucionários que seriam plenamente realizados treze anos depois.

'Do cóccix até o pescoço' é extensamente citado ao longo da narrativa como precursor da revolução que apenas seria efetivada completamente com o lançamento de 2015. Estes trabalhos anteriores evidenciam uma consistência temática na obra de Elza, demonstrando que sua luta política transcende momentos específicos de sua carreira.

A Era Digital como Liberação da Voz

Um aspecto fundamental analisado por Moreli diz respeito ao contexto tecnológico. Elza Soares pôde assumir plenamente seu discurso político a partir de 2015 não apenas por questões artísticas, mas também porque a era digital permitiu que os artistas se expressassem diretamente através das redes sociais, sem depender da mídia tradicional ou de gravadoras para difundir sua mensagem.

Este fator é crucial para compreender como uma cantora em fase avançada de sua carreira conseguiu não apenas se reinventar, mas também conquistar uma audiência global e gerações mais jovens que reconheceram em Elza Soares uma voz autêntica de resistência e luta.

Estrutura e Análise da Obra

O livro 'Insurreição na garganta' está organizado em três capítulos principais: 'Elza à luz do século XXI', que contextualiza a artista no mundo contemporâneo; 'Vozes e extremidades do fim do mundo', que disseca o álbum revolucionário; e 'Poética da insurreição na garganta', que analisa a dimensão lírica e política de sua mensagem.

A conclusão, intitulada 'Uma voz que ainda move a história', examina os ecos da bossa negra e como o discurso de Elza Soares reverbera em vozes contemporâneas como a da cantora Luedji Luna, evidenciando seu legado duradouro.

Feminismo Negro e Representatividade

Moreli demonstra ao longo da obra como Elza Soares levantou a voz para expressar aquilo que historicamente foi silenciado, hasteando bandeiras do feminismo negro com força e autenticidade. Sua participação no Rock in Rio em 2019, apresentando o show 'Planeta fome' baseado no álbum homônimo, exemplifica como a artista manteve sua postura política até seus últimos anos de vida.

Um Legado de Resiliência

A obra também reverbera momentos anteriores da trajetória de Elza Soares quando ela subverteu expectativas e sobreviveu navegando por portas fechadas do mercado musical. Como ela própria afirmava, cantava para não enlouquecer, sempre renascendo como a fênix até transcender definitivamente ao partir em janeiro de 2022.

O livro 'Insurreição na garganta' preserva o exemplo de resiliência de uma mulher que enfrentou um mundo que frequentemente tentou abafar a fala e o canto político de vozes negras, consolidando Elza Soares como ícone irreversível na história da música brasileira e da luta por direitos e dignidade.

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