Flávio nega relacionamento com Michelle e desmente pressão política
Senador Flávio Bolsonaro nega ter relação com ex-primeira-dama Michelle e desmente acusações de desrespeito após crise familiar exposta em vídeos.

Senador nega relação com ex-primeira-dama
O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou publicamente que não possui relação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, esposa de seu pai Jair, que atualmente cumpre prisão domiciliar em Brasília. A declaração de Flávio Bolsonaro foi feita semanas após a divulgação de vídeos nos quais Michelle abordou uma profunda crise dentro da família presidencial, gerando repercussões políticas significativas.
Durante sua participação no podcast Flow, Flávio Bolsonaro afirmou com clareza: "Com toda a franqueza, hoje em dia eu não tenho relação com ela. Ainda mais agora que eu estou proibido de falar com meu pai, eu ia lá na casa dele de vez em quando". A declaração do senador aponta para o isolamento que marca o momento atual da família, com restrições impostas que afetam seu convívio familiar e pessoal.
Pressão e campanhas políticas
Conforme explicou Flávio Bolsonaro durante a entrevista, ele negou ter exercido qualquer tipo de pressão sobre Michelle para que declarasse apoio explícito e público à sua pré-candidatura à Presidência da República. O senador argumentou que sua postura política é inclusiva e respeitosa com os potenciais apoiadores.
"Eu nunca pressionei para entrar para campanha ou para não entrar. Vem a hora que quer, vem se quiser também. Porque, assim, eu estou dando o meu melhor. Eu sei qual caminho eu tenho que seguir. Eu preciso de todo mundo. Quem ficar mais confortável de vir agora, vem; quem não ficar confortável de vir agora, vem depois. Se não quiser vir depois, também não interessa, vamos para dentro com a força que a gente tem", declarou o senador.
Após a exposição da crise familiar, Michelle deixou a liderança do PL Mulher e passou a cogitar a possibilidade de não ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal, movimento que reflete o impacto dos conflitos na estrutura política da legenda.
O vídeo que expôs a crise
Na noite de 24 de junho, Michelle utilizou suas redes sociais para divulgar uma série de vídeos nos quais relata ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro. Nos registros, a ex-primeira-dama descreve uma briga entre ambos e afirma que não mantêm contato desde o final de 2025.
A ex-primeira-dama revelou os detalhes de uma tentativa de comunicação após a divulgação dos vídeos: "Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele".
Acusações sobre decisões políticas
No decorrer de seu depoimento, Michelle descreveu as palavras duras que teria ouvido de Flávio Bolsonaro durante a conversa telefônica. Segundo a ex-primeira-dama, o senador teria questionado sua participação nas decisões do partido, sugerindo falta de conhecimento político: "Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política".
Michelle interpretou essas colocações como uma forma de demonstrar desinteresse em seu apoio: "Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço", relatou a ex-primeira-dama, utilizando-se de um tom que refletia resignação e afastamento.
A discussão entre ambos estava relacionada à disputa pelo palanque do PL no Ceará, onde o partido tentou estabelecer uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), movimento que foi amplamente criticado por Michelle em suas manifestações públicas.
Defesa do senador às acusações
Na época em que as acusações surgiram, Flávio Bolsonaro apresentou sua versão dos fatos. O senador destacou aspectos pessoais de sua vida para refutar as alegações de desrespeito, mencionando seu casamento de 16 anos e o fato de ser pai de duas filhas. "Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai", afirmou categoricamente.
O senador também reconheceu que a família Bolsonaro "está passando por um momento difícil" e demonstrou compreensão pela angústia de Michelle ao observar seu pai "todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça", referindo-se à situação de Jair Bolsonaro.
Tentativas de diálogo político
Conforme relatou Flávio Bolsonaro, ele agendou uma reunião com lideranças femininas para o dia 1º de julho em Brasília, onde convidou Michelle para participar. No entanto, a ex-primeira-dama não compareceu ao evento, reforçando o distanciamento que marca a relação entre os dois neste período delicado para a família.
A crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Michelle evidencia tensões internas não apenas na esfera familiar, mas também nas estruturas políticas do Partido Liberal, com desdobramentos que afetam as estratégias eleitorais para os próximos pleitos.