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Economia

Lula abre mercado livre de energia para residências em 2028

Decreto regulamenta mercado livre de energia para consumidores residenciais e pequenos estabelecimentos. Confira os detalhes da medida assinada pelo presidente.

Lula abre mercado livre de energia para residências em 2028
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Decreto regulamenta acesso ao mercado livre de energia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) um decreto que regulamenta a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão. A medida estabelece cronogramas distintos para diferentes grupos de consumidores acessarem o Ambiente de Contratação Livre (ACL), permitindo maior autonomia na escolha de fornecedores de energia elétrica.

A regulamentação do mercado livre de energia representa um marco importante na trajetória de liberalização do setor energético brasileiro. O decreto assinado durante cerimônia no Palácio do Planalto cria as condições necessárias para expandir a competição e oferecer mais opções aos consumidores de menor porte, que até então estavam restritos ao mercado regulado.

Cronograma de implementação para diferentes grupos

Conforme o decreto, pequenos estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, indústrias de menor porte, hospitais e escolas terão acesso ao mercado livre de energia a partir de novembro de 2027. Essa etapa contempla consumidores com baixa tensão inferior a 2,3 kV que desejam negociar diretamente com fornecedores alternativos.

Para os consumidores residenciais, a possibilidade de migração para o mercado livre ocorrerá posteriormente, a partir de novembro de 2028. Essa sequência permite um processo gradual de abertura, garantindo que o sistema absorva adequadamente as mudanças operacionais e regulatórias necessárias para manter a estabilidade do fornecimento.

Benefícios econômicos esperados

De acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a medida pode resultar em redução de até 20% na conta de luz para pequenos estabelecimentos. O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou durante o evento que a competição no mercado livre de energia proporciona savings significativos, citando que grandes consumidores já conseguem obter energia 23% mais barata ao negociarem no mercado livre.

"Hoje os grandes consumidores conseguem ter acesso ao mercado livre e conseguem energia 23% mais barata, mas consumidor de menor tensão não consegue. Esse decreto assinado permite que no ano que vem o comércio e a pequena indústria entrem no mercado livre e em seguida o consumidor residencial, então vai baixar o preço da energia para todo mundo", destacou o vice-presidente, enfatizando que a abertura generalizada beneficiará toda a população através da competição entre fornecedores.

Mecanismos de proteção ao consumidor

O decreto estabelece regras importantes para garantir a segurança dos consumidores que migrem para o mercado livre de energia. Uma das principais medidas é a criação do Supridor de Última Instância (SUI), responsável por assegurar o fornecimento contínuo de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço adequadamente.

Até 31 de dezembro de 2030, as distribuidoras de energia elétrica exercerão a função de Supridor de Última Instância. Após esse período, outros agentes poderão desempenhar essa atividade, de acordo com regulamentação estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), permitindo maior flexibilidade no modelo.

Regulamentação pela Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica terá responsabilidade fundamental na implementação do mercado livre de energia. Cabe à agência definir as regras de transição entre o ambiente regulado e o ambiente livre, estabelecendo diretrizes sobre informação transparente ao consumidor, proteção adequada, comparação de ofertas e procedimentos para migração entre os modelos de contratação.

Essa regulamentação detalhada é essencial para assegurar que a abertura do mercado ocorra de forma ordenada, protegendo consumidores que ainda desconhecem particularidades do mercado livre e garantindo que informações comparativas sobre fornecedores estejam acessíveis e compreensíveis.

Outras medidas de energia limpa assinadas

Além do decreto sobre o mercado livre de energia, o presidente Lula assinou outros três decretos vinculados ao setor energético. Essas medidas adicionais regulamentam políticas relacionadas ao combustível sustentável de aviação, desenvolvimento do hidrogênio de baixa emissão de carbono e implementação de tecnologias de captura e armazenamento de carbono.

Essa sequência de decretos evidencia o compromisso do governo federal com a transição energética e a sustentabilidade. Enquanto abre oportunidades para consumidores escolherem seus fornecedores no mercado livre de energia, simultaneamente promove investimentos em fontes limpas e tecnologias de redução de emissões, alinhando-se com objetivos internacionais de mitigação das mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

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