Schvartsman assume presidência da CSN após saída de Steinbruch
Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale, assume presidência executiva da CSN. Benjamin Steinbruch deixa cargo após 33 anos na companhia siderúrgica.

Mudança na liderança da Companhia Siderúrgica Nacional
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou uma importante transição em sua estrutura administrativa. Schvartsman, executivo experiente que liderou a Vale até 2019, assume a presidência executiva da companhia, marcando uma nova etapa para a empresa siderúrgica brasileira. A mudança ocorreu conforme comunicado oficial divulgado na quarta-feira (2), com início das atividades do novo presidente no dia seguinte.
Saída de Benjamin Steinbruch após 33 anos
Benjamin Steinbruch, que exerceu a presidência executiva da CSN durante três décadas, deixa o cargo para assumir a posição de presidente do Conselho de Administração da companhia. Com 73 anos, o executivo carioca encerrou um período significativo à frente da siderúrgica, período que consolidou sua trajetória como um dos principais nomes do setor industrial brasileiro.
A carreira de Steinbruch na CSN estendeu-se por 33 anos consecutivos, consolidando sua importância para o desenvolvimento e consolidação da empresa no mercado nacional e internacional. Antes de sua permanência na siderúrgica, participou ativamente de momentos cruciais para a indústria brasileira, incluindo processos de reestruturação empresarial que transformaram o cenário econômico do país.
Protagonismo na privatização da Vale
Entre os principais destaques de sua trajetória profissional, Steinbruch liderou a formação do Consórcio Brasil, grupo que venceu o leilão de privatização da Vale em maio de 1997. Essa participação o colocou no epicentro de um dos movimentos mais importantes de mudança estrutural econômica durante a década de 1990, ampliando significativamente sua influência nos círculos empresariais e políticos do Brasil.
Além da atuação direta em companhias, Steinbruch também dedicou-se à representação institucional do setor industrial. Exerceu o cargo de 1º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), consolidando sua atuação como liderança reconhecida na comunidade empresarial paulista e nacional.
Quem é Fabio Schvartsman
O novo presidente da CSN, Schvartsman, possui formação sólida em Engenharia de Produção, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), complementada por pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Essa base acadêmica refletiu-se em uma carreira profissional extensa em grandes corporações brasileiras e internacionais.
Antes de sua passagem pela Vale, construiu trajetória notável em empresas de destaque. Trabalhou por 10 anos na Duratex e posteriormente passou 22 anos no Grupo Ultra, onde ocupou posições estratégicas como sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar. Deixou esse grupo em 2007 para seguir novos desafios empresariais.
Sua experiência profissional inclui ainda comando das operações da Telemar Participações e San Antonio Internacional, demonstrando versatilidade na gestão de diferentes setores. Em 2011, assumiu a presidência da Klabin, importante fabricante de papel e celulose, permanecendo no cargo até 2017.
Liderança na Vale de 2017 a 2019
Schvartsman assumiu a presidência executiva da Vale em 23 de maio de 2017, aos 63 anos, sucedendo Murilo Ferreira no comando da mineradora. Chegou à companhia com objetivos claramente definidos: liderar uma reorganização estrutural significativa e direcionar as ações corporativas para uma carteira alinhada ao Novo Mercado da bolsa de valores brasileira.
Durante seus primeiros anos na Vale, implementou diretrizes importantes para a segurança operacional. A companhia aumentou substancialmente os recursos destinados à segurança de barragens e reformulou completamente seu sistema de controle de riscos em parceria com a consultoria internacional Deloitte, buscando aperfeiçoar os processos de monitoramento e prevenção de desastres.
O desastre de Brumadinho
A gestão de Schvartsman na Vale foi profundamente marcada pelo rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, ocorrido em Brumadinho no dia 25 de janeiro de 2019. O desastre provocou a morte de 270 pessoas e causou danos ambientais devastadores, interrompendo abruptamente sua trajetória executiva na companhia.
Após aproximadamente um mês da tragédia, Schvartsman deixou a presidência da mineradora. Seu sucessor, Eduardo Bartolomeo, foi escolhido para comandar a empresa ainda no mesmo ano de 2019. Embora tenha deixado o cargo, os desdobramentos legais da tragédia continuaram acompanhando o executivo.
Consequências legais e processos judiciais
Em 28 de março de 2019, Schvartsman prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investigava o desastre de Brumadinho. Na ocasião, afirmou que a Vale operava baseada em laudos de estabilidade emitidos por auditorias externas especializadas e que não possuía informações prévias indicando risco iminente de ruptura. Também informou que a empresa iniciou pagamentos emergenciais aos atingidos pela tragédia.
Posteriormente, em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal apresentou denúncia criminal contra Schvartsman e outras 15 pessoas envolvidas no caso. A Justiça Federal aceitou a acusação criminal, tornando o executivo réu por homicídio duplamente qualificado com dolo eventual e crimes ambientais.
Em março de 2024, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região concedeu habeas corpus a Schvartsman, determinando o trancamento das ações penais. Entretanto, o Ministério Público Federal recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter essa decisão.
Em abril de 2024, a Sexta Turma do STJ deliberou, por maioria, restabelecer os processos contra o ex-presidente da Vale, reconhecendo indícios suficientes apresentados pelo Ministério Público Federal. Em 7 de maio daquele ano, Schvartsman foi formalmente reincluído nas ações pela Justiça Federal, com o processo separado em duas ações distintas: uma exclusiva para homicídio e outra para crimes ambientais.
Novo desafio na CSN
Apesar dos processos judiciais em andamento, Schvartsman assume agora a presidência executiva da CSN, companhia que enfrenta seus próprios desafios operacionais e mercadológicos. Sua experiência acumulada em gestão de grandes corporações brasileiras será determinante para as estratégias futuras da siderúrgica, enquanto a companhia continua suas operações no mercado competitivo de mineração e siderurgia.