Trump ameaça novos ataques ao Irã se Hezbollah não for contido
Trump ameaça retomar ataques ao Irã caso aliados do Hezbollah no Líbano não cessem violência. Negociações nucleares começam em Zurique.

Ameaça americana gera tensão nas negociações
O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos voltarão a atacar o Irã se as autoridades iranianas não controlarem imediatamente os ataques do Hezbollah no Líbano. A declaração foi feita na rede social Truth Social no domingo (21), escalando a tensão diplomática no momento em que negociações nucleares estão sendo retomadas em Zurique, na Suíça. O anúncio de Trump ameaça o clima de colaboração que tinha começado a se estabelecer entre as duas nações.
"O Irã deve impedir imediatamente que seus aliados bem pagos no Líbano causem problemas", escreveu Trump. "Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!" A declaração do presidente americano representa um endurecimento da postura após semanas de negociações entre as potências.
Negociações nucleares começam em clima de incerteza
No mesmo domingo em que Trump publicou suas ameaças, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, abria as conversas sobre o programa nuclear iraniano em Zurique. Vance afirmou que os EUA veem um futuro de paz com o Irã e que os dois países podem caminhar "juntos" em direção a uma solução duradoura.
A delegação americana foi encabeçada pelo vice-presidente e incluiu Jared Kushner, genro do presidente Trump e um dos principais negociadores com o Irã, além de Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Oriente Médio. Vance chegou a Zurique na manhã de domingo acompanhado por estes dois assessores-chave.
Vance informou que trouxe consigo um pedido direto do presidente Trump: que os Estados Unidos "virem a página para transformar a relação com o Irã". Esta mensagem marca uma tentativa de reposicionar a narrativa diplomática, apesar das ameaças simultâneas feitas pelo próprio Trump nas redes sociais.
Delegação iraniana reafirma compromisso com negociações
Do lado iraniano, uma delegação de alto nível também compareceu às negociações em Zurique. O chanceler Abbas Araqchi, o presidente do parlamento e negociador-chefe Mohammad Bagher Qalibaf, e o governador do Banco Central Abdolnaser Hemmati, representaram o governo de Teerã nas conversas iniciais.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, manifestou esperança de que as negociações avançassem significativamente. "Espero que os envolvidos nas negociações consigam fazer o processo avançar com sucesso", afirmou o líder iraniano em declaração à imprensa.
As conversas em Zurique contaram também com a participação de representantes dos países mediadores Catar e Paquistão, que desempenharam papel importante na facilitação do acordo preliminar que levou a estas negociações.
Memorando de entendimento estabelece cronograma
O memorando de entendimento assinado na semana anterior ao início das negociações prevê um prazo de 60 dias para a conclusão de um acordo final. Este acordo deve focar especificamente no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções econômicas impostas contra o Irã.
As negociações técnicas entre iranianos e americanos foram agendadas para começar no dia seguinte à abertura das conversas diplomáticas de alto nível. Estes encontros técnicos contariam com a presença de representantes do Catar e do Paquistão como mediadores.
Protocolo em risco por violações no Líbano
O porta-voz da diplomacia iraniana alertou os Estados Unidos que o protocolo de entendimento estará "em risco" se suas cláusulas não forem aplicadas rapidamente. A principal preocupação iraniana refere-se à situação no Líbano, onde Israel e o movimento pró-Irã Hezbollah continuam se enfrentando, apesar de um cessar-fogo em vigor.
Este aviso iraniano representa um sinal de que Teerã considera os ataques israelenses contra o Hezbollah como uma violação das disposições do acordo. A questão do Líbano tornou-se, portanto, um ponto crítico de discórdia nas negociações, com potencial para descarrilhar todo o processo diplomático.
Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz
Em resposta aos ataques de Israel no sul do Líbano, o comando militar central do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, considerada uma das vias mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural. O Irã qualificou esta ação como resposta ao descumprimento das promessas americanas.
"O Estreito será fechado à passagem de navios", afirmou a instituição militar iraniana. O comando militar alertou ainda que "se a agressão continuar, novas medidas serão planejadas para obrigar o inimigo a cumprir suas obrigações".
Durante a maior parte da recente guerra entre Irã e Israel, o Estreito de Ormuz havia sido bloqueado pelo Irã, causando abalo significativo nos mercados mundiais de energia. Como parte do memorando de entendimento com os Estados Unidos, o Irã havia concordado em reabrir o Estreito, e o tráfego marítimo foi sendo retomado gradualmente nos últimos dias antes desta nova ameaça de fechamento.
Por sua vez, Donald Trump ameaçou aplicar um pedágio sobre os navios que passassem pelo Estreito caso não houvesse um acordo definitivo entre as potências.
Situação no Líbano continua instável
Uma autoridade do Exército de Israel informou que as forças armadas receberam da cúpula política do país uma ordem para interromper os combates no sul do Líbano, onde suas tropas enfrentam o Hezbollah. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde abril, os confrontos continuaram acontecendo.
"As FDI receberam diretrizes atualizadas dos níveis políticos para interromper o fogo", declarou o funcionário israelense. Segundo ele, as tropas não estão realizando ataques proativos, atuando apenas "de forma defensiva dentro da zona de segurança" no sul do Líbano.
A mídia libanesa noticiou ataques aéreos israelenses em aproximadamente 20 localidades no sul do país. Autoridades contabilizaram mais de 30 mortos apenas nestes ataques.
Balanço de vítimas revela gravidade do conflito
Desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah em 2 de março, os bombardeios israelenses no Líbano deixaram um total de 4.057 mortos, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde libanês. Este número reflete a intensidade do conflito que persistiu mesmo após o memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos.
O Exército de Israel relatou a morte de um de seus soldados durante os recentes confrontos no Líbano, aumentando para cinco o número de militares israelenses mortos no país desde o anúncio do memorando de entendimento. O Hezbollah, por sua vez, afirmou que Israel é "totalmente responsável" pelas violações do cessar-fogo.
Embora o cessar-fogo acordado em abril entre Irã e Estados Unidos tenha sido respeitado em grande medida, o mesmo não ocorreu no Líbano, onde foram anunciados três acordos de trégua que duraram apenas algumas horas cada um antes de violações serem registradas.
Perspectivas incertas para as negociações
A conjunção de ameaças de Trump, avisos iranianos e o não cumprimento do cessar-fogo no Líbano cria um cenário complexo para as negociações nucleares em Zurique. A capacidade de diplomatas e negociadores em separar as questões nucleares das tensões no Líbano será crucial para o sucesso ou fracasso das conversas previstas para os próximos 60 dias.
