Apex Partners enfrenta crise com afastamento do fundador
Fundador Fernando Cinelli é afastado da Apex Partners após investigação de inconsistências financeiras. Justiça concede liminar para proteger patrimônio de 178...

A crise da Apex Partners e o afastamento do fundador
A plataforma de investimentos Apex Partners vivencia um momento crítico com o afastamento de seu fundador e presidente Fernando Cinelli. Na quinta-feira (6), Fernando Cinelli foi removido do comando da companhia após apuração interna revelar inconsistências financeiras significativas na operação. O diretor financeiro Eduardo Siqueira também sofreu afastamento como parte das medidas corretivas implementadas pelos sócios.
Os principais sócios da Apex Partners responderam ao cenário contratando uma auditoria externa especializada para aprofundar as investigações. Adicionalmente, medidas judiciais foram iniciadas visando responsabilizar civilmente e criminalmente os envolvidos nos desvios identificados. A presidência interina passou a ser exercida por Marcelo Murad, sócio sênior da instituição capixaba.
Gestão temerária e ações na Justiça
Após o afastamento de Fernando Cinelli, os sócios remanescentes acionaram judicialmente o ex-presidente acusando-o de gestão temerária e má-fé. A estratégia legal inclui o pedido de bloqueio preventivo de seus bens para garantir ressarcimento dos prejuízos causados à companhia. Detalhes específicos dos achados investigativos não foram divulgados publicamente pela administração.
Segundo relatos de fontes do mercado financeiro, os sócios apontam falta de transparência nas demonstrações contábeis e revelam desconhecimento prévio da magnitude real da dívida corporativa. Os associados apontam que o lócus do problema estava na administração de Fernando Cinelli e no diretor financeiro afastado, justificando assim as ações tomadas.
O investimento na CVC como catalisador da crise
O disparador para a investigação interna na Apex Partners foi relacionado ao investimento em ações da CVC, agência de viagens brasileira. Embora houvesse tensões prévias sobre a conduta gerencial de Fernando Cinelli, a situação atingiu um ponto insustentável quando um fundo administrado pela plataforma capixaba adquiriu 15,5% das ações da CVC.
Esse investimento resultou em perdas expressivas, pois as ações experimentaram queda de aproximadamente 40% em um período de apenas seis meses. Como os investidores haviam recebido promessas de rentabilidade garantida, os prejuízos geraram pressão dos sócios por esclarecimentos e ações corretivas imediatas.
Fernando Cinelli havia sido indicado para integrar o conselho administrativo da CVC em abril do ano anterior. No mesmo dia em que foi afastado da Apex Partners, ele também renunciou formalmente ao cargo na agência de viagens.
Blindagem legal e proteção do patrimônio
Na sexta-feira (7), a Justiça concedeu liminar que protege as operações da Apex Partners. O juiz Marcos Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, determinou a suspensão de execuções para salvaguardar o patrimônio de 178 empresas vinculadas à plataforma, considerando um passivo total de aproximadamente R$ 975 milhões.
A decisão judicial estabeleceu prazo de 30 dias para que as empresas apresentem pedido formal de recuperação judicial, sob pena de extinção da medida cautelar. Simultaneamente, foi nomeada administradora judicial responsável por perícia técnica abrangente que avaliará as condições operacionais de todo o conglomerado, com prazo de 20 dias para conclusão.
A medida visa assegurar a continuidade das atividades econômicas e prevenir a dissipação de ativos antes de eventual formalização de recuperação judicial. Em comunicado oficial, a Apex Partners esclareceu que a medida não constitui recuperação judicial propriamente dita, mas sim tutela cautelar preventiva durante a conclusão dos trabalhos de auditoria externa.
Posicionamento da Apex Partners
A plataforma de investimentos afirmou em nota que a medida cautelar possui caráter preventivo exclusivo para garantir o patrimônio empresarial e a continuidade regular das atividades, criando ambiente de estabilidade durante execução da auditoria externa contratada. A companhia reafirmou compromisso com transparência junto a investidores, parceiros e colaboradores.
Importante destacar que a decisão judicial não abrange patrimônios segregados dos fundos de investimento, patrimônios fiduciários ligados a certificados de recebíveis nem patrimônios de afetação de sociedades de propósito específico. Essa estruturação preserva integralmente recursos de terceiros e competências regulatórias correspondentes.
Conforme esclarecimento da empresa, valores mencionados na ação não representam obrigações vencidas ou imediatas, mas compromissos de longo prazo. O impacto da inconsistência financeira identificada internamente será validado através da auditoria externa em andamento.
Posição de Fernando Cinelli
Através de sua defesa jurídica, Fernando Cinelli informou estar dedicado e comprometido em contribuir construtivamente para preservação da Apex Partners, seus investidores e acionistas. Segundo o comunicado, o empresário demonstra disposição em esclarecer completamente todas as questões suscitadas com total transparência e idoneidade.
Reação do mercado financeiro
O mercado respondeu rapidamente aos sinais de instabilidade na Apex Partners. O BTG Pactual, instituição financeira de relevância, rescindiu o contrato de distribuição com a plataforma capixaba e implementou travamento de saques relacionados a fundos geridos pela companhia.
Na sexta-feira, o Governo do Espírito Santo, representado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu comunicado oficial informando ausência de recursos públicos provenientes do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners, buscando esclarecer a posição fiscal estadual ante à crise corporativa.