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Gilmar Mendes solicita acesso ao celular de Vorcaro antes de julgamento

Ministro do STF Gilmar Mendes pede cópia integral do celular de Daniel Vorcaro apreendido na Operação Compliance Zero para julgamento marcado de terça-feira.

Gilmar Mendes solicita acesso ao celular de Vorcaro antes de julgamento
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Requisição de material probatório no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes solicitou neste domingo que o diretor-geral da Polícia Federal encaminhe uma cópia integral do celular de Daniel Vorcaro apreendido na Operação Compliance Zero. A demanda pelo acesso ao celular de Vorcaro representa um passo crucial nos preparativos para o julgamento agendado para terça-feira, quando a Corte analisará relatório envolvendo mensagens e possíveis conexões entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.

Garantias de sigilo e restrição de acesso

Em seu pedido, Gilmar Mendes enfatizou que "não se cogita de qualquer levantamento de sigilo". O ministro reafirmou que o material permanecerá sob regime rigoroso de restrição, com acesso limitado ao seu gabinete, nos mesmos termos disponibilizados ao relator desde 8 de março de 2026. A solicitação visa apenas acesso interno por profissionais submetidos ao mesmo dever de sigilo que vincula tanto o relator quanto a autoridade policial responsável pela apreensão.

Mendes argumentou que sem a verificação completa da mídia, seria impossível identificar possíveis omissões, obscuridades ou contradições no relatório apresentado. Além disso, ressaltou a necessidade de avaliar a integralidade do material recuperado, o contexto das mensagens e a representatividade da seleção documental.

O dispositivo e circunstâncias da apreensão

O aparelho em questão é um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez durante a operação. O dispositivo permanece sob custódia da corporação desde então, representando elemento central nas investigações que envolvem possíveis irregularidades.

Determinação anterior de Zanin

Horas antes do pedido de Gilmar Mendes, o ministro Cristiano Zanin já havia determinado que o diretor-geral da Polícia Federal entregasse até as 23h daquele domingo uma cópia integral do celular de Vorcaro. Essa decisão desencadeou reações diferenciadas entre os integrantes da Corte, evidenciando divisões sobre o acesso ao material probatório.

Zanin rebateu argumentos anteriores do ministro André Mendonça, que havia sustentado que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído somente contribuiria para "tumultuar o julgamento" e colocaria "em risco todo o seguimento e êxito das investigações". Mendonça alegava que todos os ministros já contavam com material necessário para análise adequada.

Princípios de hierarquia e prerrogativas

Em sua determinação, Zanin argumentou categoricamente que não existe "hierarquia entre os ministros do STF". O ministro reafirmou que as provas pertencem ao plenário da Corte e a seus integrantes, não a um ministro especificamente. Complementou sua decisão ressaltando que a própria Polícia Federal informou ter plenas condições de fornecer cópia da mídia a todos os gabinetes sem prejuízo à cadeia de armazenamento de provas.

Gilmar Mendes concordou com essa perspectiva, afirmando que se um membro do colegiado possui essas informações, "é prerrogativa dos demais membros do Tribunal acessar aquilo que fundamenta a decisão que lhes cabe proferir".

Tensão crescente no tribunal

A sequência de pedidos e determinações aprofunda o clima de tensão no STF a apenas dois dias do julgamento agendado para o plenário. Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Zanin vinham cobrando acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho para contextualização ampla dos fatos antes de qualquer deliberação formal.

Zanin também reiterou que o material já foi disponibilizado aos advogados de Vorcaro, demonstrando que a restrição ao acesso ministerial não se justificava plenamente. Enfatizou que não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, considerando que todos estão submetidos ao dever de sigilo e ao compromisso de bem desempenhar suas funções com imparcialidade e independência.

Julgamento marcado e suas implicações

O julgamento agendado para terça-feira (15) representa momento histórico para o STF, sendo considerado caso inédito na instituição. Nesta sessão, os ministros analisarão a validade do relatório da Polícia Federal que apontou possível relação entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, baseando-se em mensagens interceptadas durante a Operação Compliance Zero.

A discussão envolve não apenas o mérito do caso, mas também questões processuais relevantes sobre como investigar ministros da própria Corte. Alguns ministros criticaram o pedido inicial de Mendonça para investigar colega sem autorização prévia do plenário, questionando a validade e propriedade do procedimento adotado.

Cenário político e alinhamentos

Bastidores da Corte indicam alinhamentos ainda não completamente definidos. Seis votos são considerados mais consolidados: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin aparecem alinhados com Moraes, enquanto André Mendonça contaria com apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que recebem sinalizações dos dois lados.

Dias Toffoli teria indicado tendência de não participar, já que considera o caso desdobramento do Master e declarou-se suspeito para votar em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações. Discussões internas questionam se questões processuais permitiriam sua participação mesmo assim.

Desdobramentos esperados

A entrega da cópia integral do celular de Vorcaro até o horário determinado por Zanin representa pré-requisito essencial para que todos os ministros possam fundamentar adequadamente suas posições no julgamento. A decisão de Fachin de levar o relatório para análise plenária intensificou apostas sobre apoio ou não à abertura de investigação formal contra Moraes, marcando potencial virada nas dinâmicas institucionais da Suprema Corte.

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