Pedro Alliana assume presidência do Paraguai após destituição de Peña
Pedro Alliana toma posse como presidente do Paraguai após impeachment de Santiago Peña em crise política envolvendo fechamento do banco Ueno.

Nova liderança no Paraguai
O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência do Paraguai nesta sexta-feira (6), sucedendo Santiago Peña após a aprovação de seu impeachment pelo Senado paraguaio. A posse de Pedro Alliana marca um ponto de inflexão na política do país, que enfrenta uma grave crise institucional e financeira desencadeada por um escândalo bancário de proporções alarmantes.
A cerimônia de posse foi realizada no Congresso Nacional do Paraguai, onde Alliana reafirmou seu compromisso com a recuperação econômica e institucional. Durante seu discurso inaugural, o novo mandatário prometeu que todos os clientes prejudicados pelo fechamento da instituição financeira receberão a integralidade de seus depósitos.
Os motivos que levaram ao impeachment
Santiago Peña enfrentou acusações graves que culminaram em sua destituição. O Senado paraguaio votou pela perda definitiva de seu mandato, fundamentado em alegações de conflito de interesses, manipulação de normas regulatórias e desvio de recursos do sistema previdenciário nacional.
As investigações apontaram que o banco estatal teria ocultado problemas estruturais da instituição financeira afetada, agravando a crise de confiança no setor. Peña, formado em Economia, havia mantido ações no grupo proprietário do banco problemático até março do ano anterior, o que alimentou as suspeitas sobre seu envolvimento no escândalo.
Imediatamente após a votação conclusiva sobre sua destituição, Peña foi detido pela Polícia Federal do Paraguai, iniciando assim um processo judicial que pode resultar em acusações criminais adicionais.
A crise do banco Ueno e suas consequências
O banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou suas operações na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar o procedimento de liquidação forçada da entidade. A instituição apresentava graves deficiências de capital, incapaz de honrar seus compromissos com os depositantes.
A magnitude do colapso é significativa: a instituição contava com aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de 850 milhões de dólares em depósitos de pessoas físicas e jurídicas. Entre os afetados estavam recursos destinados ao Instituto de Previdência Social, evidenciando o impacto no sistema de proteção social do país.
As autoridades monetárias constataram que os empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição geraram uma cascata de prejuízos financeiros, comprometendo a saúde patrimonial do banco. Este arranjo de operações interligadas é investigado como possível esquema de desvio de recursos.
Perfil do novo presidente Pedro Alliana
Pedro Alliana nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucú, localizado no sudoeste do Paraguai, e possui 52 anos de idade. É casado e pai de quatro filhos. Sua formação acadêmica inclui diplomação em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián.
Antes de ingressar na carreira política, Alliana atuou no setor comercial privado. Na juventude, integrou a seleção nacional de basquetebol do Paraguai, participando de competições nacionais da modalidade, demonstrando uma trajetória diversificada antes de sua entrada na esfera pública.
Politicamente filiado ao Partido Colorado (Associação Nacional Republicana), a mesma sigla de Peña e força histórica dominante na política paraguaia, Alliana construiu uma carreira progressiva no cenário político local e nacional.
Trajetória política e perspectivas futuras
A experiência administrativa de Pedro Alliana inclui seu período como governador do departamento de Ñeembucú entre 2008 e 2012, período em que implementou políticas de desenvolvimento regional. Subsequentemente, atuou como deputado federal por dez anos consecutivos, de 2013 até 2023, exercendo liderança na bancada de seu partido na Câmara dos Deputados entre 2015 e 2023.
Em abril deste ano, Alliana anunciou formalmente sua pré-candidatura à presidência nas eleições programadas para 2028. Seu anúncio contou com o apoio explícito de Santiago Peña na época e do ex-presidente Horacio Cartes, indicando o respaldo das estruturas tradicionais do Partido Colorado.
Agora, como presidente em exercício, Alliana enfrenta a responsabilidade imediata de restaurar a confiança nas instituições financeiras e governamentais, mitigando os danos causados pela crise do banco Ueno e reconstruindo a credibilidade internacional do Paraguai no mercado financeiro global.