Quaest identifica voto útil de direita favorecendo Flávio
Pesquisa Quaest detecta movimento de voto útil de direita beneficiando Flávio Bolsonaro. Lula e candidato empatam tecnicamente com 42% cada um.
Movimento de voto útil de direita beneficia Flávio Bolsonaro
A pesquisa Quaest divulgada no sábado identificou um pronunciado voto útil de direita direcionado a Flávio Bolsonaro (PL), conforme análise apresentada por Felipe Nunes, diretor da consultoria e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Este fenômeno representa um fluxo significativo de eleitores provenientes de outras candidaturas de direita consolidando-se em torno do candidato do PL.
A dinâmica do voto útil de direita demonstra como eleitores dispersos em diferentes opções conservadoras estão convergindo para uma única candidatura considerada viável. Felipe Nunes explicou à Central das Eleições da GloboNews que, embora Lula apresente oscilações nas intenções de voto, o padrão mais relevante identificado refere-se justamente a este movimento concentrado à direita do espectro político.
Dados da pesquisa Quaest
O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 3.702 eleitores com 16 anos ou mais durante os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou menos, com nível de confiança de 95%. O número de registro na Justiça Eleitoral é BR-02197/2026.
Considerando os votos totais, Lula (PT) aparece com 40%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 38% de intenção de voto. Em relação à rodada anterior divulgada na segunda-feira, Lula evoluiu de 39% para 40%, enquanto Flávio apresentou crescimento mais expressivo, subindo de 34% para 38%. Quando analisados apenas votos válidos, a competição se torna ainda mais acirrada, com Lula registrando 46% e Flávio Bolsonaro 45%, configurando um empate técnico.
O fenômeno do voto útil
Segundo a análise de Felipe Nunes, as candidaturas que disputam eleitores no segmento de direita funcionaram durante o primeiro turno como um reservatório de votos potencialmente migrável. O diretor descreveu este cenário como uma "caixa d'água de votos", onde eleitores aguardam sinais sobre qual candidato possui maiores condições de competitividade para concentrar seu voto.
Os dados demonstram esta migração potencial com clareza. Entre os eleitores de Renan Santos (Missão), 60% declararam que votariam em Flávio Bolsonaro em um segundo turno contra Lula. O mesmo percentual apareceu entre 43% dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD) e 34% dos apoiadores de Augusto Cury (Avante). Estes números revelam a dimensão do contingente que poderia se deslocar para fortalecer o candidato da direita em cenários posteriores.
Possível alteração na ordem eleitoral
Na avaliação de Felipe Nunes, o voto útil de direita ainda poderia intensificar-se no dia da votação, alterando potencialmente a ordem dos candidatos nas urnas. O diretor afirmou não se surpreender se Flávio Bolsonaro terminasse o primeiro turno numericamente à frente de Lula, caso este contingente de eleitores das candidaturas alternativas decida pela concentração de votos.
"O eleitor está se decidindo e eu não me surpreenderia se a gente visse esse movimento se intensificando, porque o movimento de voto útil da direita agora é muito decisivo e muito forte. Há elementos para dizer que nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio inclusive à frente de Lula, se esse contingente de eleitores de alternativas decidir dessa forma", afirmou Nunes.
Cenário de dois turnos ainda predominante
Apesar da possibilidade de intensificação do voto útil de direita, Felipe Nunes ponderou que o volume de eleitores das outras candidaturas que afirmam ter decidido definitivamente seu voto sustenta a expectativa de resolução em dois turnos. O diretor observou que este contingente de eleitores com decisão consolidada é "grande o suficiente para que a gente trabalhe ainda com o cenário de dois turnos".
Os dados revelam este padrão: entre os eleitores de Ronaldo Caiado, 75% afirmam que sua escolha para o primeiro turno é definitiva. Entre os de Augusto Cury, este percentual alcança 68%, enquanto entre os apoiadores de Renan Santos chega a 66%. Para comparação, 92% dos eleitores de Lula e 89% dos de Flávio Bolsonaro declaram que sua decisão para o primeiro turno é definitiva.
Intenções de voto no primeiro turno
O levantamento apresenta a seguinte distribuição de intenções considerando votos totais:
- Lula (PT): 40% (anteriormente 39%)
- Flávio Bolsonaro (PL): 38% (anteriormente 34%)
- Ronaldo Caiado (PSD): 3% (anteriormente 4%)
- Augusto Cury (Avante): 3% (anteriormente 4%)
- Renan Santos (Missão): 3% (mantido em 3%)
- Indecisos: 3% (anteriormente 5%)
- Branco/nulo/não vai votar: 10% (mantido em 10%)
Importância para entender a dinâmica eleitoral
A identificação do voto útil de direita pela pesquisa Quaest fornece elementos cruciais para compreender a dinâmica eleitoral em curso. Este fenômeno transcende simples flutuações nas intenções de voto, representando um padrão estruturado de comportamento eleitoral onde segmentos do eleitorado reorganizam suas preferências em função de cálculos estratégicos sobre viabilidade e competitividade.
O direcionamento deste voto útil para Flávio Bolsonaro, em detrimento de outras opções conservadoras, sugere que eleitores de direita estão convergindo para aquilo que percebem como a candidatura mais competitiva dentro do espectro ideológico. Este movimento, se consolidado, poderia redefinir significativamente o resultado do primeiro turno e as possibilidades de segundo turno, tornando ainda mais acirrada uma disputa que os números já indicam ser extremamente competitiva.